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Yuri, o menino das estrelas
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Yuri, o menino das estrelas

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Em Celesteville, uma cidadezinha tranquila sob um céu estrelado, vivia Yuri, um menino cheio de sonhos e olhos curiosos voltados para o espaço.

O amor pelo cosmos surgiu nas noites em que ele passava ao lado de seu avô, um ex-astrônomo que Yuri admirava como se ele carregasse no bolso todos os segredos do universo, junto com aquele seu velho relógio de corda.

As noites estreladas eram como um teatro mágico, onde avô e neto observavam juntos as estrelas, os planetas e as constelações através de um telescópio antigo, também aposentado, inquieto e ruidoso como o avô de Yuri.

Nessas noites memoráveis, Yuri escutava atentamente cada palavra de seu avô, como se elas fossem um verdadeiro tesouro a ser guardado.

E eram mesmo!

Seu avô lhe ensinou que ao olhar para o céu, eles contemplavam a própria manifestação da glória de Deus.

Ele dizia que a grandiosidade do cosmos era um espetáculo que ultrapassava os limites da compreensão humana, mas era apenas uma pequena amostra do esplendor do Senhor.

O céu era como um quadro noturno, onde Deus pintava estrelas cintilantes e constelações enigmáticas para mostrar um pouco da sua grandeza para nós.

- É uma linda maneira de Deus se revelar para a gente, não é mesmo Yuri? dizia o avô.

E Yuri ficava lá, olhando e se maravilhando com a vastidão do universo, ao mesmo tempo em que crescia dentro dele um sentimento de humildade diante da imensidão do espaço.

"Se o cosmos é tão vasto e maravilhoso, imagina deve ser Deus, que certamente é ainda maior!" suspirava Yuri, enquanto seu avô seguia compartilhando os segredos do céu.

O tempo, como um cometa em sua órbita, continuava a avançar, mas a paixão de Yuri pelo Universo não mudava.

Cada nova descoberta, cada observação no telescópio e cada lição do avô apenas fortaleciam uma determinação que aos poucos foi surgindo em seu coração: Yuri queria explorar o espaço.

E não só isso: ele queria ver Deus.

Enquanto as noites estreladas se desdobravam uma após a outra, o coração de

Yuri se enchia cada vez mais de sonhos e curiosidade, como se cada estrela no céu fosse um degrau em sua escalada em direção a Deus.

E foi assim que, movido por uma inabalável busca por conhecer o Deus criador do Universo, que Yuri tomou uma decisão firme e audaciosa: por que não construir seu próprio foguete, uma máquina que o levasse até os confins do cosmos, mais perto de Deus do que jamais alguém ousou chegar?

Sim, Yuri decidiu ser o primeiro menino a viajar pelas estrelas, até encontrar Deus!

Yuri estava determinado a seguir os passos de seu amado avô e ir muito mais além na verdade.

Ele não se contentaria em apenas observar as estrelas.

Seu sonho era se tornar um astronauta!

Mas não qualquer astronauta: ele seria a primeira criança astronauta da história!

Afinal, ele não queria esperar até se tornar um adulto para só então poder viajar pelas estrelas e encontrar o Deus que criou todas elas.

Para realizar seu sonho, Yuri passou a dedicar horas e horas devorando livros de astronomia, assistindo a documentários espaciais e absorvendo todo o conhecimento que pudesse sobre foguetes e naves espaciais.

A modesta garagem de sua casa, até então esquecida, transformou-se em um laboratório improvisado, um santuário onde ele tentava, com suas próprias mãos, construir o foguete que o levaria aos confins do Universo.

Mas a jornada de Yuri estava bem longe de ser tranquila.

Ele enfrentou inúmeros obstáculos em seu caminho para construir o foguete perfeito.

Na verdade, todos os seus experimentos foram como pequenos fogos de artifício que se apagavam antes mesmo de brilhar nos céus.

Ele tinha tanta paixão e entusiasmo, mas construir um foguete não era tão simples quanto olhar para o céu estrelado.

Na sua garagem-laboratório, ele trabalhava incansavelmente, misturando substâncias misteriosas, ajustando engrenagens e tentando decifrar os códigos complexos da física e da astronáutica.

Mas suas experiências sempre resultavam em uma série de pequenos desastres.

Houve uma vez em que ele tentou criar um propulsor caseiro para o foguete, e acabou cobrindo a garagem inteira com espuma branca e pegajosa que explodiu de forma inesperada.

Em outra ocasião, seu foguete caseiro decolou apenas para perder o controle e colidir com a cerca do jardim, deixando-o em pedaços.

E assim, noites inteiras de trabalho duro frequentemente terminavam em frustração, quando as tentativas de Yuri construir seu foguete falhavam.

A paciência do menino foi testada até seu limite, colocando-o diante de um dilema, num momento de grande dúvida: será que ele algum dia conseguiria construir seu foguete e alcançar as estrelas? Será que ele deveria desistir de conhecer o Universo e o seu Criador?

Yuri queria ver mais de perto a glória de Deus nas estrelas, mas parecia que isso estava cada vez mais fora de alcance.

Um dia, de manhã bem cedinho, o avô de Yuri foi até a garagem-laboratório e encontrou o neto exausto, cochilando sobre seu último protótipo fracassado de foguete.

Sem acordá-lo, ele colocou alguns pães de queijo e um café bem quentinho que ele tinha acabado de preparar na mesa de trabalho e o aroma fez com que Yuri logo despertasse.

Enquanto comia, o menino compartilhou com o avô todo o seu desânimo com tantos projetos mal sucedidos.

- Mas afinal de contas, para que tanta pressa em construir um foguete, Yuri?

- Porque eu quero ser o primeiro menino astronauta a viajar pelas estrelas e encontrar Deus!

- Encontrar Deus? perguntou o avô franzindo a testa.

Ele nem esperou Yuri terminar seu café da manhã: pegou-o logo pela mão e o levou para um passeio na floresta nos arredores de Celesteville.

Lá, entre as árvores altas e os riachos cristalinos, Yuri admirou a beleza da natureza que o cercava.

Ele olhou para o céu e, em vez de estrelas distantes, viu os raios do sol derramando-se através das folhas das árvores e chegando ainda quente em sua pele.

Ele ouviu o canto dos pássaros, que pareciam criar a trilha sonora perfeita para aquele momento.

Era um espetáculo incrível, e Yuri sentiu uma paz profunda em seu coração.

Seu avô, sorrindo, disse:

- Sabia que no espaço não há nem esse calor nem esse som?

E começando com essa revelação inesperada, o avô de Yuri começou a explicar que não só o distante Universo, mas também a natureza ao redor era uma manifestação magnífica da glória de Deus.

Tudo que temos aqui pertinho, a terra, o céu, as árvores, os rios e os animais eram todas demonstrações majestosas da sublime criação divina.

Assim como as estrelas, tudo o que temos ao nosso redor também revela o nosso Senhor.

Sentados à beira do Riacho, o avô começou a contar uma história:

- Sabe Yuri, existiu um homem na Bíblia que, assim como você, também queria ver Deus.

- Sério, vô? Quem era?

- O nome dele era Elias e ele estava escondido em uma caverna.

Um belo dia, Deus disse para ele sair de dentro da caverna, para eles se encontrarem

- E aí vô?

- Bom, Elias saiu da caverna imaginando como seria esse encontro com Deus!

Acho que ele estava empolgado para ver cenas espetaculares.

E ele viu mesmo! A primeira coisa que ele viu foi um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas… mas o Senhor não estava no vento.

- Sério, vô? Não estava? E depois, o que aconteceu?

- Depois do vento houve um terremoto… mas o Senhor também não estava no terremoto.

- Ah não? E depois disso?

- Depois do terremoto houve um fogo enorme, mas o Senhor também não estava nele.

- Furacão, Terremoto, Vulcão em erupção… Se Deus não estava em nada disso, estou até com medo de como Ele apareceu para Elias! Depois disso tudo, o que aconteceu vô?

- Depois de todas essas cenas espetaculares, Elias ouviu o murmúrio de uma brisa suave…

- Uma brisa?

- Sim, uma brisa.

Quan­do Elias ouviu o barulho baixinho da brisa, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna.

- E então, vô?

- Então, da brisa suave, uma voz ainda mais suave lhe perguntou: "O que você está fazendo aqui, Elias?" Era Deus.

Yuri, acostumado a admirar o esplendor das galáxias e cometas, não esperava que o Deus todo poderoso se contentaria em surgir no meio de uma leve brisa.

- Como assim, vô? Deus não estava no furacão, nem no terremoto, nem no fogo? Ele estava era em um ventinho de nada?

- É aí que está, Yuri.

Algumas pessoas acham que só poderão encontrar Deus nas coisas grandes e extraordinárias, mas Deus gosta de se revelar é na simplicidade mesmo.

Depois de um momento de silêncio, enquanto ouvia-se apenas o murmúrio do riacho, Yuri perguntou:

- Quer dizer que mesmo se eu conseguisse construir meu foguete, talvez eu nem conseguisse ver Deus lá no espaço?

- Sim, mas essa não é uma má notícia, na verdade é uma ótima notícia.

Isso significa que você não precisa construir nada, nem ir muito longe, para estar perto de Deus.

Naquele momento, Yuri reparou como as árvores altas pareciam tocar o próprio céu, e como os raios do sol dançavam entre suas folhas verdes, criando um espetáculo de luz e sombras.

Ele ouviu o vento soprando entre as árvores, como se estivesse sussurrando segredos, enquanto os pássaros entoavam melodias que enchiam o ar de alegria.

Era como se a natureza estivesse cantando e dançando em adoração a Deus.

Yuri olhou para seu avô com os olhos brilhando de compreensão e gratidão.

Ele finalmente percebeu que a glória de Deus estava em toda parte, tanto na vastidão do espaço como na simplicidade exuberante da natureza, e que ele podia experimentar a presença do Senhor todos os dias, não importa onde estivesse.

Ele abraçou seu avô com carinho, agradecido por todas as lições que havia aprendido e pela bela verdade que tinha lhe revelado sobre a glória de Deus, que, agora ele sabe, esta presente em cada raio de sol, em cada folha das árvores e em cada canto da natureza.

Dali da beira do riacho avô e neto caminharam juntos de volta para casa, fazendo uma parada rápida em uma praia que havia ali perto.

Enquanto estavam lá, com os pés na água do mar, Yuri sentiu algo roçando suavemente em seus pés, trazido pelas ondas.

Curioso, ele se abaixou e, com cuidado, pegou uma pequena estrela do mar em suas mãos.

Naquele momento, Yuri percebeu que seu sonho de tocar as estrelas tinha se tornado realidade.

E ele nem precisou de um foguete nem de se tornar um astronauta para isso.

Bastou entender que a presença do Senhor está aqui com ele, em todo lugar.

Bastou uma simples caminhada com seu avô e com Deus.

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