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Thiago e o povo do deserto
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Thiago e o povo do deserto

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Aquele dia amanheceu bem para Thiago. O sol surgiu na janela do quarto de Thiago e um raio de luz pousou sobre os seus olhos fazendo com que ele se levantasse da cama.

Ele acordou com uma energia diferente, animado para aquele que seria o último dia de aula antes das férias.

Depois de se espreguiçar bastante, Thiago foi até o banheiro e escovou os dentes, já se preparando para tomar o café da manhã.

Em seguida, ele trocou de roupa, colocando o uniforme da escola e pronto, já estava preparado para a aula.

No caminho para a escola, ele pediu à mãe para tocar a música de sua banda favorita no carro, o que ela fez.

Mas o problema é que o celular da mãe de Thiago ficou sem bateria e a música, consequentemente, acabou.

Thiago não ficou nada contente!

- Que coisa mais chata! Por que você não carregou esse celular mãe?

- Ora, Thiago! Não fale assim comigo! Respeite a sua mãe!

- Isso não é justo mãe! E eu tenho razão! Como é que você vem, me coloca no carro, e não se preocupa em colocar uma música para eu ouvir?

- Thiago, é melhor você parar de ficar reclamando de tudo, viu? Já está na hora de você aprender a se comportar!

- Eu não quero nem saber, mãe! Pode dar um jeito de colocar a minha música.

E foi nesse momento que a mãe de Thiago perdeu a paciência e o colocou de castigo.

A partir daquele dia, ele ficaria um mês sem ouvir música no carro.

Éee, parece que naquele dia, o caminho até a escola seria beeemmm looongo.

Chegando na escola, Thiago se animou um pouco.

Mesmo chateado com o castigo da música, ele se empolgou em brincar com os coleguinhas na hora do intervalo.

Eles estavam brincando de pique-esconde e se divertiram tanto que não perceberam quando o sinal bateu.

A professora então veio buscá-los e todos os alunos foram obedientes em voltar para a sala.

Menos Thiago.

Ele ficou chateado por ter sido interrompido bem na melhor parte da brincadeira, e claro, acabou reclamando com a professora:

- Tia, isso é muito injusto!

- Como assim, Thiago?

- Ué, eu fui encontrado todas as vezes na brincadeira e logo agora que eu ia vencer você me interrompeu.

- Mas, Thiago, está na hora de voltar para a sala.

O intervalo acabou, o sinal já tocou!

- E o que eu tenho a ver com isso? Você não podia ter me atrapalhado desse jeito, que coisa mais chata!

- Thiago… Se comporte! Vamos parar de reclamar, viu?

- Você é uma chata, isso sim!

- Pronto, Thiago.

Agora já chega! Você está de castigo.

Quando voltarmos das férias, você vai ficar um mês sem poder brincar no pátio na hora do intervalo.

Quem sabe assim você aprenda a não reclamar tanto!

E esse foi o segundo castigo que Thiago recebeu naquele dia, que tinha tudo para ser um dia perfeito.

Ele voltou para a sala muito chateado e não via a hora de voltar logo para a sua casa.

Ele só queria esquecer tudo o que tinha acontecido, assistindo um pouco de televisão.

A volta para casa pareceu demorar bem mais do que Thiago estava acostumado, afinal, sem música, não é tão divertido andar de carro.

Quando chegou em casa, Thiago foi logo tirando os sapatos e quando foi se jogar no sofá, teve que interromper o salto: já havia alguém sentado lá. Seu pai tinha chegado mais cedo do trabalho e estava assistindo futebol na sala. Thiago não acreditava naquilo.

Isso era muito injusto! Então, ele não teve dúvidas: reclamou com o seu pai.

- Pai, posso saber o que o senhor está fazendo aí?

- Oi, filho! Você esqueceu de dizer boa tarde para o papai e pedir a benção.

Quer tentar de novo?

- Não, pai, não quero tentar de novo não.

O que eu quero mesmo é assistir TV, e o senhor está atrapalhando.

Pode me dar licença?

- Como é que é Thiago? Você não acha que está sendo desrespeitoso demais com o seu pai não? Que tal você parar de reclamar um pouco? Podemos assistir juntos o jogo agora e depois o seu desenho, o que acha?

- Mas que chatice! Esse foi o pior dia da minha vida, gritou Thiago.

O pai então mandou o filho ir para o quarto se acalmar.

Não estava certo uma criança falar daquele jeito com seu pai, muito menos gritar com ele.

Thiago obedeceu, mas com muita raiva e chorando.

Depois de alguns minutos o pai veio até o seu quarto.

- Está mais calmo, filho?

- Estou, sim pai.

- Por que você disse aquelas coisas?

- Porque eu ganhei dois castigos hoje.

E você agora me deu um terceiro, mandando eu vir para o meu quarto.

- Mas eu achei que hoje o seu dia seria perfeito! Não era o último dia de aula? Agora começaram as férias, não é mesmo?

Thiago contou então para o pai tudo o que tinha acontecido naquele dia, os castigos que recebeu e como ele se sentia.

O pai percebeu que o motivo de todos aqueles problemas era porque Thiago não estava tendo domínio próprio e acabava reclamando demais quando as coisas não saiam do jeito que ele esperava.

- Filho, acho que descobri o problema. Talvez você devesse aprender a não reclamar tanto. Senão, você corre o risco de ficar como o povo do deserto…

- Povo do deserto? Como assim, pai? Que povo é esse? E por que eu ficaria como eles, se a gente mora aqui na cidade?

- Por incrível que pareça, esse povo do deserto era o povo de Deus, Thiago!

- Ué, pai! Mas a Bíblia não diz que Deus tinha dado para eles uma terra linda, cheia de frutas e mel? Isso não parece nada com um deserto…

- É aí que está, Thiago! Você sabia que quando Deus libertou o povo do Egito, eles teriam que fazer uma caminhada de mais ou menos um mês para chegar até a Terra Prometida?

- Um mês?! Meu Deus, é tempo demais caminhando, pai. Mas se bem que para chegar em um lugar tão bom, talvez valesse a pena…

- Sem dúvida! Eles estavam saindo da escravidão e do sofrimento para morarem em uma terra maravilhosa, só deles. E uma caminhada de 30 dias naquela época não era nada eles estavam acostumados. Só que essa caminhada durou bem mais….

- Durou uns 40 dias pais?

- Não. Durou 40 anos.

- Mas porque pai? Eles se perderam?

- Mais ou menos… eles se perderam sim, mas não do jeito que você está imaginando…

O pai de Thiago explicou que apesar de aquela ser uma viagem de poucos dias, Deus precisou ensinar uma lição para o seu povo no caminho para Canaã.

- E que lição foi essa pai?

- Deus precisou ensiná-los a não serem tão reclamões.

- Sério, pai? E eles reclamavam de quê?

Era tanta coisa que o pai levou um bom tempo contanto essa história.

Ele disse que o povo ficou muito alegre quando Deus abriu o Mar Vermelho, afinal eles tinham deixado de ser escravos no Egito e agora teriam sua própria terra, onde havia frutas gigantes, leite e mel à vontade.

Mas essa alegria não durou muito tempo.

Assim que o povo descobriu que tinha que atravessar um deserto para chegar até a Terra Prometida, já começou a reclamar bastante.

Deus foi paciente com eles, mas eles reclamavam de tudo, o tempo todo.

Primeiro reclamaram da sede.

Deus então mandou Moisés tocar na rocha e dela saiu uma água pura e geladinha.

Depois, eles reclamaram do sol quente na cabeça.

Aí Deus mandou uma nuvem ficar o tempo todo fazendo sobre para eles durante o dia.

Outro dia eles reclamaram do escuro à noite, e Deus fez uma coluna de fogo para iluminá-los.

Mas eles gostavam de reclamar mesmo era da comida.

Até que Deus mandou para eles um pão que vinha diretamente do céu e eles colhiam todas as manhãs.

Mas eles disseram que não aguentavam mais comer aquele pão, queriam comer carne.

E Deus ainda enviou codornizes para eles assarem.

Mas não foi suficiente: os hebreus continuaram reclamando, o tempo todo.

Até que Deus resolveu ensiná-los sobre isso.

O Senhor queria que eles percebessem que quando nós ficamos só reclamando, deixamos de perceber as bênçãos que já temos ao nosso redor.

- Ainda estou impressionado, pai.

40 anos no deserto é muita coisa…

- Pois é filho, é isso que a murmuração e a reclamação fazem conosco.

A gente fica sofrendo de graça até aprender a ser paciente e grato.

- Verdade pai.

Não custava nada eles serem gratos pelo que Deus já tinha feito por eles e terem paciência enquanto atravessavam o deserto, afinal eles estavam a caminho de um verdadeiro paraíso!

- Pois é, eles reclamaram tanto do calor, da comida e da água, que Deus resolveu que eles precisavam aprender a valorizar as coisas boas que eles tinham.

- Nossa, pai! Quarenta anos! É muito tempo!

- E poderia ainda ser mais, sabia filho? Ainda bem que eles demoraram, mas acabaram aprendendo, senão poderiam ficar mais tempo ainda no deserto…

- Até aprender, né pai?

- É filho, até aprender.

Deus é nosso pai, e todo pai ensina e corrige o filho a quem ama.

Se o pai não ensina, o filho sofre depois no futuro,

- Porque ninguém gosta quando alguém fica reclamando o tempo todo, né pai?

- Sim, e o pior é que as pessoas que reclamam muito, acabam sempre perdendo alguma coisa de bom que já tinham…

- Pois é, pai.

Eu perdi a chance de ouvir minhas músicas prediletas no carro e perdi a chance de brincar com meus amigos no intervalo da escola… Mas pai, como eu faço para me controlar quando quiser reclamar?

- Deus nos prometeu alguns presentes que ele chamou de fruto do Espírito.

Um deles é o domínio próprio.

Se você orar e pedir a Deus, Ele pode te entregar esse fruto e você vai conseguir se controlar melhor.

Depende só de você.

- Fruto? Você sabe que eu não gosto de frutas, pai! Se fosse pelo menos um pãozinho igual o que caiu do céu para o povo do deserto! Mas de fruta eu não gosto não! Eu quero é pão, e pão com goiabada dentro!

- Ora, Thiago! Você ainda está reclamando!? Tudo bem, vamos começar tudo de novo, tá! Deixa eu te explicar novamente, desde o começo …

- Calma pai! Não precisa! É brincadeira! Eu estava só testando a sua paciência.

Mas pelo jeito você já recebeu esse fruto do Espírito né?

- E essa é a sua sorte, viu?!

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