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Pipo, o caranguejo que perseguia nuvens
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Pipo, o caranguejo que perseguia nuvens

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Você já ouviu falar do Pipo? Ele era um caranguejo muito curioso e aventureiro, que morava em um recife cheio de vida!

Pipo adorava conhecer as coisas que Deus tinha feito e se encantava com as belezas da natureza, especialmente ali no mar onde ele nasceu e se criou.

Um dia, ele estava caminhando em uma parte rasa do mar, quando viu uma coisa branca e fofa no céu.

Era uma nuvem!

Pipo nunca tinha visto uma nuvem antes e ficou muito intrigado.

O que seria aquilo? E olha só, ela está se mexendo! De onde será que ela vinha? E para onde será que ela ia?

Pipo perguntou aos seus amigos peixes, mas eles não sabiam responder.

Eles disseram apenas que aquilo era só uma coisa que aparecia de vez em quando no céu, mas que não tinha nada a ver com eles.

Pipo ficou balançando a cabeça sem se conformar com essa resposta, enquanto os peixes saíram nadando, seguindo seu rumo, despreocupados.

Mas Pipo queria saber mais sobre a nuvem.

Ele saiu perguntando para os outros animais marinhos, mas nenhum deles sabia dizer o que era aquela coisa branca e fofa no céu.

Para alguns, inclusive, aquela era a primeira vez que olhavam para cima e viam o céu e também a nuvem, e só tinham feito isso a pedido de Pipo.

Inconformado, Pipo resolveu sair do mar e seguir a nuvem, esperando desvendar por si próprio aquele mistério.

Ele pulou para fora da água e caminhou pela praia sempre olhando para cima para não perder a nuvem de vista

Até que, de repente, sem perceber, Pipo escorregou as patinhas e caiu em um riachinho que saía do meio das palmeiras na praia.

E ele saiu dando cambalhotas, arrastado pela forte correnteza.

A correnteza do riachinho levou Pipo até um rio maior, um rio gigantesco na verdade.

Ali Pipo encontrou outros peixes, muito diferentes de todos os tipos de peixes que ele conhecia do mar.

Eles o ajudaram a se levantar, depois que um turbilhão da correnteza o lançou em uma parte mais calma do rio.

Depois do susto, Pipo contou a sua história para os novos amigos, explicando que estava seguindo uma bolinha branca no céu.

Os peixes se olharam, achando aquilo tudo muito esquisito, mas olharam para o céu para ver do que ele estava falando.

Só que não viram nada.

A nuvem tinha sumido e quando Pipo percebeu isso ficou muito desapontado.

Ele ficou tão triste que até que não disse mais nenhuma palavra.

Mas para não ficarem em silêncio para sempre, os peixes do rio resolveram começar a contar para Pipo tudo o que sabiam sobre as maravilhas do rio onde moravam.

Quando eles disseram que o rio levava água para muitos lugares e que a água era essencial para a vida em todo o mundo, os olhos de Pipo se voltaram para eles.

E quando eles disseram que Deus tinha inventado a água para abençoar a sua criação, os olhos de Pipo ficaram arregalados.

Ele ficou impressionado com o que ouviu.

Pipo nunca tinha pensado na água desse jeito.

Por isso, já que estava ali mesmo, ele resolveu conhecer de perto esses lugares para onde o rio levava água e bênção.

Ele se despediu dos seus novos amigos peixes e dessa vez, mergulhou de propósito na correnteza.

Pipo nadou, nadou até que encontrou uma pequena vila, do jeitinho que os peixes tinham comentado.

Lá uma porção de meninos sorridentes mergulhavam no rio e plantações vistosas cresciam nas suas margens.

Ali Pipo entendeu o que os peixes quiseram dizer com bênção: era tanta risada, tanta fartura e tanta alegria, que até ele se sentiu feliz só por estar ali, perto do rio.

Mas, de repente, uma sombra cobriu a todos e chamou a atenção de Pipo.

Ele olhou para cima e seus olhos brilharam quando ele viu o que era!

Era a sua bolinha de algodão branquinha, que estava lá, firme e forte no céu!

Ele achou que a tinha perdido para sempre quando caiu distraído no riachinho, mas não!

Lá estava ela no céu, seguindo seu caminho, sem desviar do rumo e agora fazendo sombra sobre o rio e suas margens.

Mas afinal, onde será que ela ia parar?

Com o ânimo renovado, Pipo decidiu continuar a sua jornada para desvendar esse mistério

Ele Pipo saiu do rio, passou pelas crianças, atravessou as plantações, cumprimentou os bois e vacas que pastavam por ali, cruzou a vila e continuou seguindo a nuvem, dessa vez, morro acima.

No alto do morro, já bastante cansado da escalada, Pipo parou um pouco debaixo da sombra fresca de um arbusto.

Ele deu uma rápida olhada para o céu, para ver se sua amiga ainda estava lá, e foi então que percebeu que ela não parecia mais um bolinha branca de algodão fofinho.

A nuvem estava ficando mais escura e ela também parecia muito mais pesada.

Pipo ainda estava reparando nisso quando sentiu seu corpo tremer todo com o barulho de um forte trovão.

Depois, seus olhos piscaram assustados quando o morro inteiro foi iluminado por um relâmpago que rasgou o céu.

Com medo, Pipo correu e se escondeu debaixo de uma pedra.

E foi ali, enquanto se recuperava do susto, que Pipo foi surpreendido pela sublime visão das gotas de chuva pipocando na areia do morro, fazendo subir poeira e o cheiro gostoso de terra molhada.

Mesmo com medo, Pipo não se aguentou de curiosidade e colocou as patinhas para fora da pedra para sentir o comichão das gotas de água caindo sobre elas.

“De onde será que está vindo essa água toda?” Pensou ele.

Respirando fundo para tomar coragem, ele olhou para cima e viu que a nuvem estava chovendo!

Pipo, que nunca tinha visto uma chuva na vida, se perguntou por que cargas d'água será que aquela bolinha de algodão fofa no céu agora estava tão escura e vazando água?

Mas não deu tempo de pensar muito não.

A chuva em cima do morro gerou uma enxurrada tão forte, que desceu com tudo, arrastando Pipo e a pedra onde ele estava escondido!

E lá se foi ele, dando cambalhotas morro abaixo até que a enxurrada o jogou de volta dentro do rio!

E lá no rio, levado pela correnteza, Pipo, entre uma cambalhota e outra, ainda conseguiu ver as plantações sendo regadas pela chuva e as crianças com folhas de bananeiras na cabeça correndo para não se molhar.

Logo a correnteza o jogou em uma parte mais calma do rio e finalmente Pipo foi novamente colocado de pé pelos seus novos amigos peixes.

Eles perguntaram se estava tudo bem, mas Pipo não respondeu.

Ele estava muito preocupado olhando para cima, procurando sua amiga nuvem.

Depois de tantas cambalhotas ele a tinha perdido de vista novamente.

Ele não a viu, mas enquanto olhava para cima de dentro do rio, ficou muito admirado com a beleza das gotas de chuva pipocando na superfície, dissolvendo-se antes de descer até o fundo.

Foi quando, distraído olhando para cima, Pipo deu um passo para trás e foi sugado novamente pela correnteza do rio, que estava ainda mais forte por causa da chuva que aumentava!

Finalmente, o rio desembocou no mar, levando Pipo de volta para casa, para o recife de onde havia saído para iniciar a sua grande aventura.

Ali, ainda um pouco desorientado, ele foi encontrado por uma velha tartaruga, que lhe perguntou de onde ele vinha.

Pipou contou a sua história e ouviu da tartaruga que ela também já tinha perseguido uma nuvem um dia e que tinha lavado anos para ela chegar até o morro e depois mais alguns anos para conseguir voltar para o mar, já que ela andava bem devagar.

Mas justamente por andar bem devagarzinho, a tartaruga disse que teve tempo para finalmente descobrir o mistério das bolinhas de algodão no céu.

Diante de um Pipo de olhos arregalados, ela revelou que aquilo se chamava

nuvem e que elas faziam parte do ciclo da água.

Ele disse que as nuvens são obras de Deus, que faz a água do mar evaporar e se juntar no céu, criando aquele formato de bolinhas de algodão.

Depois, as nuvens viajavam pelo céu até chegarem no lugar certo, designado por Deus para levarem água.

No caminho, as nuvens vão ficando cada vez mais cheias, o que faz elas parecerem mais escuras e pesadas, de tanta água que juntaram.

E então, elas finalmente liberam toda essa água em forma de chuva, regando a terra e enchendo rios, lagos e fontes, que conduzem a água de volta para o mar, onde tudo começava de novo.

Ainda um pouco zonzo, Pipo ficou admirado com o plano de Deus para o ciclo da água.

Então era assim que as plantações eram regadas e bois eram alimentados! Era assim que os rios ficavam cheios de água para as crianças mergulharem e se divertirem?

Pipo olhou para o morro, onde ele tinha visto a nuvem pela última vez.

Lá, agora ele via um lindo arco-íris.

A tartaruga percebeu os olhos de Pipo brilhando e cheios d'água.

Então ela explicou para ele que aquela coisa linda, cheia de cores, era formada por minúsculas gotinhas de água que tinham sobrado da nuvem!

Era uma maneira de Deus revelar o seu amor nós, disse ela.

A tartaruga ainda contou que certa vez Deus tinha mandado um dilúvio para limpar o mundo do pecado, mas tinha poupado Noé e sua família, porque eles eram justos.

Depois disso, Deus fez uma aliança com Noé e colocou o arco-íris no céu como sinal dessa aliança, prometendo que a água seria sempre uma bênção para o mundo!

Pipo sentiu o amor de Deus em seu coração e louvou o seu nome.

Então, fechou os olhos disse baixinho: “Obrigado, Deus, por ter feito esse mundo tão bonito! Obrigado por ter feito essa promessa tão boa! Obrigado por me amar tanto e fazer a chuva pipocar água no morro, nos rios e chegar nos meus amigos em todos os lugares!”

E Pipo viveu para sempre feliz no fundo do mar - mas de vez enquando, ele ainda perseguia alguma nuvem para ver aonde ela poderia levá-lo.

Afinal, quem sabe as coisas lindas que Deus ainda havia criado por aí, né?

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