O Natal radiante de Sofia
Narrado por •
Faltava uma semana para o Natal, e Sofia mal podia esperar para celebrar a festa com sua família.
Aqueles dias pareciam se arrastar lentamente, como se o relógio estivesse tramando uma conspiração contra a espera da garotinha.
Ela ficava horas deitada no sofá da sala, só olhando para os ponteiros que pareciam murmurar tic-tacs infinitos, enquanto as folhas do calendário pareciam pregadas com cola especial para nunca serem retiradas da parede.
Ainda assim, o olhar de Sofia brilhava de empolgação, e sua imaginação se perdia nos sonhos coloridos que imaginava se concretizando.
Isso porque Sofia amava os brinquedos que já tinha, mas não via a hora de ganhar mais.
Todos os anos ela se encantava em ver as novas cores que os brinquedos acrescentavam ao seu quarto, já bem colorido com os presentes do ano anterior.
Tudo ficava tão lindo!
Um dia porém, Sofia entregou-se ao cansaço, de tanto ficar observando o relógio e o calendário.
Recostando-se em uma almofada, ela se deixou adormecer, na esperança de que o sono viesse logo e a transportasse de uma vez para o dia seguinte.
Assim, seria um dia a menos para o Natal.
Porém, enquanto dormia, Sofia foi levada para um sonho que ela jamais tinha vislumbrado.
Sofia foi transportada para a Vila dos Brinquedos, onde todos os seus presentes de Natal tinham ganhado vida.
Na vila dos Brinquedos, Sofia logo reconheceu seu ursinho Teddy, que parecia ser o sábio líder dos demais brinquedos.
Mas algo nele parecia diferente.
A sua cor não se parecia nada com a que ela tinha se acostumado.
Teddy era azul, Sofia se lembrava bem, mas ali ele parecia cinza.
Teddy se aproximou de Sofia com uma expressão séria e disse:
- Sofia, o Natal está perdendo o colorido que o torna especial.
Precisamos da sua ajuda para restaurar o verdadeiro significado desta época mágica.
Foi só então que Sofia olhou ao redor e percebeu que, na verdade, toda a vila estava cinza.
Parecia até que algum vulcão tinha entrado em erupção ali por perto, derramando cinzas no céu e cobrindo o telhado das casas e as copas das árvores.
Indignada com a falta de cor em seu sonho, Sofia embarcou determinada em uma jornada com seus brinquedos para resolver aquele grande problema.
Ela sabia que somente ela poderia liderá-los naquela missão, afinal eles eram os seus brinquedos e confiavam nela.
Enquanto caminhavam em direção ao porto da vila, onde uma série de canoas já estavam prontas esperando por eles, Sofia foi informada das notícias de que a Estrela de Belém, que simbolizava o nascimento de Jesus, estava perdendo seu brilho.
Segundo contavam, era isso que estava desbotando as cores em toda a Vila dos Brinquedos - e se nada fosse feito, logo isso iria acontecer no mundo real também.
Sofia achou o seu passeio de canoa muito sem graça.
Os lampiões acesos pendurados na frente das canoas até que se esforçavam, mas não conseguiam iluminar muita coisa naquele mundo acinzentado.
Além disso, enquanto os brinquedos remavam, Sofia precisa sempre chamar a atenção deles para os perigos da travessia.
De vez em quando, um brinquedo se distraía observando algo à beira do caminho.
Outro se impressionava com as pedras que se erguiam por sobre a água e quase largava o remo para tocar nelas.
Outro ainda reclamava dos espinhos que às vezes espetavam quem estava na lateral das canoas, quando passavam rente à vegetação do rio..
Sempre que os advertia, Sofia lembrava-os da parábola de Jesus sobre a semente do Evangelho, que em alguns corações havia sido sufocada pelas distrações da vida.
Assim, Sofia os incentivava a manter o foco no Caminho, como Jesus havia ensinado.
Mas, enquanto falava, essas palavras também entravam em seu próprio coração e ela começou a pensar se talvez não fossem justamente as distrações do mundo moderno que fazia as pessoas esquecerem o verdadeiro significado do
Natal, deixando o mundo todo cinza.
Finalmente, Sofia e seus brinquedos chegarem na outra margem do rio, que dava no coração da vila.
Era ali que o brilho da Estrela de Belém deveria refletir mais intensamente, inundando todo aquele mundo com luz e cor.
Por isso, rapidamente ela pediu para todos na vila se sentarem ao seu redor e começou a compartilhar histórias sobre o nascimento de Jesus e o amor que Ele trouxe ao mundo.
Porém, para a surpresa de Sofia, as cores não voltaram ao normal.
Sofia foi ficando triste ao perceber que suas palavras não estavam trazendo de volta o colorido do Natal para a Vila Mágica, como ela esperava.
Ela começou a imaginar como seria quando aquela atmosfera cinzenta tomasse conta do mundo real.
Como ficariam as árvores de Natal e as mesas de ceia no mundo inteiro.
O que aconteceria com a alegria colorida do Natal, agora que seu plano não tinha dado certo? Se ela era a única pessoa que podia mudar aquela situação, então talvez estivesse tudo perdido.
Teddy olhou para Sofia e confirmou suas suspeitas ao dizer que o que ela estava fazendo não tinha mesmo como dar certo.
- Aqui na Vila dos Brinquedos, assim como no mundo real, não faltam pessoas para falar sobre Jesus, Sofia.
Todos conhecemos muito bem a história do Natal.
- O que falta então?
- Faltam pessoas que tornem o Natal real.
Faltam pessoas que façam coisas que demonstrem o amor de Jesus pelo mundo.
- E como eu posso fazer isso? perguntou Sofia.
- Que tal nos doar para crianças que não ganharam nada nesse Natal?
Sofia tomou um susto tão grande com a sugestão do seu ursinho que acabou despertando do sonho.
Quando se levantou, percebeu que havia acordado na manhã de Natal.
A mesa do café da manhã estava posta, e sua família já estava abrindo as caixas de presentes.
Sofia sentiu uma sensação de paz e gratidão coração ao ver que seu mundo continuava colorido.
Ela estava aliviada, mas se lembrou que precisava fazer alguma coisa para manter aceso o verdadeiro colorido do Natal.
Ela precisava fazer algo para demonstrar o amor de Jesus ao mundo
Sofia compartilhou com seus pais o sonho e a história da Estrela de Belém.
Aproveitou para lembrar aos seus irmãozinhos o verdadeiro e mais importante presente de Natal: o nascimento de Jesus Cristo.
Mas dessa vez, ela não ficaria só nas palavras.
- Nós não podemos deixar que as distrações da vida e a sedução das riquezas do mundo sufoquem a semente de amor que a salvação de Cristo trouxe para os nossos corações.
E para completar, Sofia declarou solenemente a sua decisão, separou seus brinquedos, especialmente o Tedy e pediu para que o pai a levasse para o orfanato da cidade, onde doou tudo para as crianças que ainda não tinham
recebido nenhum presente.
Ao entregá-los, Sofia explicou que Jesus tinha lhe revelado que contava com ela para demonstrar o seu amor por aquelas crianças e que ela não poderia dizer não, ainda que amasse tanto os seus brinquedos.
Naquela noite, Sofia sonhou novamente com Vila dos Brinquedos, que agora estava linda e colorida novamente!
Teddy a abraçou sorridente e agradeceu por sua boa ação, que tinha trazido de volta a luz da Estrela de Belém, iluminando não apenas a vila, mas também os corações de todos que viram suas ações, ali e no mundo real também.
E dentro de si, Sofia percebeu que a semente de Jesus tinha brotado em seu coração, gerando frutos que permaneceriam para sempre.
Agora, em sua vida, o Natal tinha ficado mais radiante do que nunca e sua luz brilharia para sempre, mantendo seu mundo sempre colorido de alegria.