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O dia que Miguel caiu na própria armadilha
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O dia que Miguel caiu na própria armadilha

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Em uma escola no interior de São Paulo, estudava um menino chamado Miguel.

Ele tinha muitos colegas na escola, era o garoto mais popular.

Talvez até por isso às vezes ele se comportava como um valentão.

Não era sempre, mas acontecia.

Mesmo assim, quase todos os meninos da escola gostavam de brincar com Miguel, porque todos os dias ele inventava brincadeiras novas no intervalo.

Até que um dia, a criatividade de Miguel foi um pouco longe demais.

Naquele dia, assim que bateu o sinal para o intervalo, todos os meninos se reuniram em volta de Miguel para saber qual seria a brincadeira do dia. Ao invés de falar, Miguel olhou em volta, pediu silêncio e abriu a mão para mostrar o que ele tinha encontrado no pátio:

- É um besouro morto - disse André, um dos colegas de Miguel.

- É claro que é um besouro.

Um elefante não poderia ser né, André - respondeu Miguel e todos riram com ele.

- Mas o que vamos fazer com isso? perguntou André.

- Tá vendo aquela menina ruiva, que não conversa com ninguém? Vamos jogar esse besouro no cabelo dela.

Vai ser muito engraçado ver ela correndo desesperada - riu Miguel, e todos riram com ele.

André, foi um dos poucos que não achou aquilo nada engraçado.

Ele decidiu que não ia brincar com meninos daquele jeito.

André conhecia a menina e sabia que ela era boazinha, não fazia mal a ninguém.

Teve um dia que ela até emprestou um lápis para o André fazer uma prova, em uma manhã chuvosa em que ele acordou muito tarde e esqueceu a mochila em casa com todo o seu material escolar.

Não seria assim que ele iria retribuir o favor.

- Tudo bem, André! Você não vem né? Sempre achei você um bobão mesmo.

Mas nós vamos lá nos divertir, né pessoal? disse Miguel, enquanto todos balançam a cabeça dizendo que sim e riam com ele.

Eles se levantaram e começaram a andar devagarzinho, em direção à menina, que estava distraída, sozinha, lendo um livro.

Quando Miguel e sua turma chegaram bem pertinho da menina ruiva e estavam quase jogando o besouro nela, a professora chamou o seu nome e ela entrou na sala de aula.

Logo em seguida o sinal tocou.

- Salva pelo gongo, disse Miguel.

Mas amanhã ela não me escapa, disse colocando o besouro no bolso, enquanto todos riam com ele..

De longe André observou a cena e passou o resto do dia pensando nisso.

Como Miguel poderia ser assim tão mal com uma garota tão boazinha.

Isso não era justo!

Mas o que ele poderia fazer? Ele era o único garoto da escola que decidiu não participar daquela brincadeira sem graça.

Se ele tentasse impedir, os meninos poderiam fazer uma maldade era com ele!

Quando chegou em casa, André resolveu contar tudo para o pai.

Ele com certeza poderia dar alguma ideia de como resolver essa situação.

- Quer dizer que o Miguel vai tentar fazer essa maldade amanhã de novo?

- Sim, pai.

E eu acho que não há nada que eu possa fazer para evitar.

Mas aquela menina ruiva não merece isso.

Todos nós sabemos que as meninas morrem de medo de besouros, né?

- É verdade, filho.

Sua mãe mesmo não pode ver uma barata que sai derrubando a casa inteira.

Essa brincadeira do Miguel não tem graça nenhuma.

Mas quem disse que você não pode fazer nada?

- Ué? O que eu posso fazer pai?

- Ora, o mesmo que a rainha Ester fez!

- Ah é? E a rainha ester teve que enfrentar um valentão também foi pai?

- Você nem imagina, filho!

Então o pai começou a contar a história de quando o povo de Deus perdeu uma guerra e foi levado para um país chamado Babilônia.

O rei de lá era muito mal, mas se apaixonou por uma bela israelita chamada Ester e se casou com ela.

O tio de Ester se chamava Mardoqueu e era um homem muito bom.

Um certo dia, Mardoqueu ouviu alguns homens maus tramando um plano para matar o rei e o avisou.

O rei investigou tudo, descobriu que era verdade tudo o que Mardoqueu tinha dito e por isso mandou prender os homens maus, que planejavam aquela traição.

Mas o tempo passou e o rei se esqueceu de Mardoqueu.

Nessa época, um homem chamado Hamã foi nomeado pelo rei para ser governador de uma de suas cidades.

Hamã tinha muita inveja de Mardoqueu, porque Deus o abençoava muito.

Hamã tinha tanta inveja de Mardoqueu que preparou um plano para acabar com ele.

O plano era mais ou menos assim: primeiro, Hamã pediu ao rei para editar um decreto, ordenando que todos se curvassem quando Hamã passasse.

Ele fez isso porque sabia que Mardoqueu era fiel a Deus, e que ele somente se curvava ao Senhor durante as suas orações e que não se curvaria diante de mais ninguém.

Depois, Hamã contou ao rei que todos os judeus eram desobedientes como Mardoqueu.

- Veja o exemplo de Mardoqueu, meu rei, disse Hamã.

Ele não obedece à sua ordem de se curvar perante mim.

Esse povo é um perigo para o seu reino!

- E então, pai? O que aconteceu depois?

- Com esse plano, Hamã conseguiu enganar o rei dizendo que os judeus eram maus.

O rei entregou a Hamã o seu anel de autoridade e disse para ele fazer o que achasse melhor com os judeus.

Então Hamã determinou que todos os judeus fossem mortos, todos em um único dia.

- Os oficiais do rei leram a ordem em todo o reino, e o povo ficou apavorado! Que notícia horrível eles receberam! Enquanto isso, Hamã se divertia com o desespero dos judeus.

Mas, naquela mesma noite, a rainha Ester pediu a todos os judeus que orassem.

Ela tinha certeza que Deus salvaria o seu povo.

- E a oração funcionou, pai?

- Claro! Naquela noite, o rei não conseguiu dormir.

Então pediu para que lessem para ele os livros onde era anotada a história de tudo o que acontecia no reino.

Aí leram para ele a parte em que se contava como, há muito tempo atrás, o rei havia sido salvo de um plano para matá-lo.

Leram que Mardoqueu tinha denunciado tudo e salvo a vida do rei.

Então ele perguntou:

- O que foi feito por esse homem, em agradecimento?

- Nada, senhor.

O senhor logo se esqueceu dele.

Então o rei mandou chamar Hamã e perguntou:

- O que você acha que eu devo fazer para honrar um homem que vale muito para mim? O que você sugere, Hamã?

Hamã, o malvado, pensou que o rei devia estar falando dele. “Afinal, quem, além de mim, Hamã, tem tanto valor perante o rei?”, pensou ele.

Então Hamã disse:

- Rei, se você quer mesmo honrar esse homem, então vista nele as suas roupas reais, as que o senhor mais gosta.

Coloque nele uma coroa real e faça dele governador de todas as cidades do Reino.

Depois, monte-o sobre o cavalo real, e diga-lhe para escolher alguém para puxar as rédeas do cavalo e que essa pessoa siga a pé por todo o reino gritando bem alto: “esse é o homem mais valioso de todo o Reino.

O rei manda que todos o obedeçam!”

Hamã, que pensava que seria ele quem receberia todas essas honras, já tinha até decidido quem ele ia escolher para puxar o cavalo e ficar gritando: Mardoqueu, é claro.

Aquele homem de quem ele tinha tanta inveja.

Porém, depois que acabou de ouvir as sugestões de Hamã, o rei ordenou:

- Hamã, vá depressa procurar Mardoqueu e traga-o ao Palácio.

Faça com ele tudo o que você acabou de me dizer.

Ele será governador no seu lugar, e governará não uma mas todas as cidades do reino.

E você será servo dele.

Então Mardoqueu foi trazido ao Palácio, vestiram nele a melhor roupa do rei, colocaram em sua cabeça uma coroa tão bonita quanto a do rei, montaram-no no cavalo real e lhe perguntaram:

- Quem você quer que siga a pé diante de você, puxando as rédeas do seu cavalo e gritando que você é o homem mais importante do reino, Mardoqueu?

- Adivinha quem Mardoqueu escolheu, filho.

- Hamã, é claro!

- Exatamente.

Hamã acabou caindo na armadilha que ele mesmo tinha preparado para Mardoqueu.

- Pai e quanto aos judeus, que tinham sido condenados à morte?

- A primeira decisão de Mardoqueu como governador foi salvar todos os seus irmãos judeus do plano malvado de Hamã.

Todos foram salvos!

- Tudo isso porque o povo orou pai?

- Exatamente.

Eles seguiram o exemplo da rainha Ester, oraram e Deus resolveu tudo da noite para o dia!

Então André teve clareza sobre como poderia ajudar a menina ruiva.

Ele se ajoelhou e pediu a Deus que fizesse alguma coisa para que o plano de Miguel não desse certo.

No dia seguinte, já na escola, o coração de Miguel ficava acelerado sempre que ele olhava para menina ruiva.

Será que Deus tinha ouvido a sua oração? Quando o sinal bateu, André foi correndo para o pátio.

Ele viu Miguel se aproximando da menina ruiva, com o besouro na mão e acompanhado de um monte de garotos, que riam com ele, imaginando o desespero da menina.

Mas de repente, um pelicano que estava no telhado olhou para baixo, viu aquele besouro rechonchudo e achou ele bem apetitoso.

Foi então que ele abriu as asas e deu um voo rasante em alta velocidade para tomá-lo das mãos de Miguel!

O susto foi tão grande que os meninos correram, Miguel se desequilibrou, pisou em uma casca de banana e caiu sentado em uma enorme poça de lama.

O uniforme da escola, que era branco, ficou todo marrom.

E agora os meninos que acompanhavam Miguel não riam com ele, mas sim dele.

Na verdade, toda a escola estava rindo do Miguel, que se levantava com dificuldade com aquela lama toda na roupa.

Eles ainda iam rir muito, porque o sinal bateu e Miguel teve que voltar para a sala, sujo, fedorento e bastante envergonhado.

No final da aula, André se aproximou de Miguel e lhe contou a história de Hamã.

Ele então percebeu que também tinha caído na própria armadilha e decidiu nunca mais fazer aquele tipo de brincadeira.

André ficou muito feliz, porque agora a menina ruiva poderia ler seus livros em paz no recreio.

Mas ele nunca respondeu à pergunta que Miguel lhe fez, sobre quem teria seguido o exemplo da rainha Ester e orado para que o seu plano com o besouro desse tão errado.

Pelo jeito, esse segredo vai ficar guardado para sempre!

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