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Lucas e um mistério na chuva
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Lucas e um mistério na chuva

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Chovia muito naquela tarde em que Lucas olhava pela janela.

Ele ainda estava usando as meias que ficaram meio molhadas depois de pisar nas poças de água que se formaram na garagem.

Ele e seu pai tentaram se proteger com o guarda-chuvas, mas isso não ajudou muito a evitar que os pés deles ficassem encharcados.

A verdade é que ainda não inventaram uma boa proteção para os pés em dias chuvosos. Os tênis foram uma boa tentativa para isso, mas o estado das meias de Lucas deixava bem claro que essa não era uma solução perfeita.

Mesmo com bons calçados, é incrível como as meias sempre ficam um pouco molhadas depois que a gente toma chuva. Nem as botas de plástico resolvem. Mas para Lucas isso não era tão ruim assim.

Ele gostava da sensação de ficar um tempinho a mais com as meias nos pés depois que entrava em casa, mesmo que elas estivessem assim, meio molhadas.

E com as meias molhadas ainda nos pés, Lucas olhava através da janela embaçada pela chuva. Foi quando ele viu, ali no jardim, perto das flores da mamãe, algo que chamou a sua atenção.

Era uma coisa meio verde, meio marrom, comprida e que parecia se mexer de vez em quando.

Seja lá o que fosse, aquilo se camuflava nas folhas das flores, que apesar de terem pétalas coloridas, possuem caule e folhas sempre da mesma cor verde-escuro.

Nisso, todas as flores são iguais: nenhuma delas tem caules e folhas que não sejam verde- escuro. Mas Lucas sabia que o que mais atraia as pessoas mesmo eram as pétalas coloridas. São elas que chamam mais a atenção de todo mundo que olha para as flores. Ninguém liga muito para a cor do caule ou das folhas das flores.

A irmã de Lucas, por exemplo, sempre que vê uma flor faz um monte de perguntas sobre as cores das pétalas delas. E isso acontece todas as manhãs, quando Joana ajuda a mamãe a regar o jardim. É nessa hora que começa a sessão de perguntas:

- Por que a rosa se chama rosa se na verdade ela é vermelha, mamãe?  E por que aquela flor branca se chama copo de leite se só tem orvalho dentro dela?  Será que alguém confundiu orvalho com leite?  Mas o leite vem da vaca e não das flores…

Teve uma vez que a Joana perguntou se alguém já tinha feito queijo com o orvalho que encontrou dentro da flor chamada copo-de-leite, achando que era leite mesmo… Só se fosse alguém que nunca tivesse provado leite de verdade, porque o orvalho que tem dentro das flores é muito diferente do leite que a gente toma no café da manhã.

Teve outra vez que Joana perguntou sobre uma flor amarela. Por que é que ela se chamava girassol, afinal? Lucas sabia o porquê.

Ele já tinha ouvido falar que o girassol tem esse nome porque parece acompanhar a trajetória que o sol faz no céu, nascendo de um lado e se pondo lá do outro lado. Mas Joana não sabia disso.

Então a mamãe explicou, bem delicadamente, dizendo que as pessoas deram esse nome para o girassol porque reparam que aquela flor ficava sempre olhando para o sol, como se girasse a cabeça  enquanto ele fazia a sua caminhada no céu ao longo do dia.

Essa era uma maneira bem mais carinhosa de explicar, pensou Lucas.

Enquanto essas lembranças vinham à sua cabeça, Lucas continuava observando a chuva lá fora.

Ainda dava para ver aquela coisa meio verde, meio marrom, se mexendo no canteiro, pertinho das flores. Pensando bem, aquilo ali parecia ser uma cauda.

Seria de algum bicho? Ou será que era uma planta diferente, que ele ainda não conhecia? Uma raiz, talvez? Lucas começou a tentar recordar se, em algum momento, sua irmã já tinha perguntado à mamãe sobre aquela coisinha pequena, meio verde e meio marrom, que se mexia ali no canteiro.

Mas ele tinha certeza de que nem a Joana, nem a sua mãe jamais tinham falado sobre aquilo. Com certeza não era uma planta, senão, Joana já teria perguntado sobre ela. Talvez fosse um bicho mesmo e talvez elas nunca tenham conversado sobre ele porque elas nunca o viram por ali. Se fosse mesmo um bicho, ele tinha chegado ali agora. Ou um pouco antes.

Quem sabe estava tentando se proteger da chuva? Seja lá o que fosse, ali estava ela, uma cauda bem pequena, camuflada entre as flores, se mexendo de um lado para o outro, bem diante dos olhos de Lucas.

O menino reparou que só era possível perceber aquela coisa se movendo quando ela aparecia sobre a grama, que era de um verde bem claro.

Ainda bem que a coisa misteriosa era verde-escura, meio marrom também, porque se ele fosse verde claro ia acabar se confundindo com a cor da grama. Daí Lucas nunca mais ia conseguir vê-la.

Só ficava mais difícil de ver quando aquela coisa ficava bem pertinho das flores, porque a sua cor era muito parecida com a cor do caule e das folhas, que também eram verde escuro, meio marrom.  Mas ali, na grama, ela não podia se camuflar. E era quando ela se mexia perto da grama que Lucas conseguia perceber que ela ainda estava lá.

Sim, Lucas tinha certeza: havia um bicho ali.

Enquanto prestava atenção no exato local onde estava a cauda, Lucas pensou que não era nada bom que um animal ficasse ali no canteiro.

Ele poderia acabar destruindo as flores da mamãe! Lucas sabia o quanto a mamãe amava aquelas flores, e por isso decidiu ir lá e afugentar o bicho e assim salvar as flores da mamãe. Mas como poderia fazer isso debaixo daquela chuva? Ele não queria pegar um resfriado. Da última vez que ele ficou gripado, teve que tomar um xarope com um gosto horrível. E por causa da gripe, ele também ficou um bom tempo sem poder jogar futebol na rua.

Que coisa! Parecia que não tinha jeito mesmo...

Lucas estava ali, vendo uma cauda marrom se mexendo no canteiro, mas não podia fazer nada para salvar as flores da mamãe.

Ele pensou em falar com o papai, mas se lembrou de que ele também tinha se molhado muito na chuva, quando o buscou no colégio mais cedo e certamente não iria querer sair naquela tempestade novamente. Na verdade, o pai de Lucas nem gostava tanto assim de flores. Uma vez ele pisou nelas sem querer e Lucas passou a tarde toda com ele ajudando a arrumar a bagunça antes que a mamãe chegasse. Foi até legal, mas não adiantou muito.

A arrumação ficou longe de parecer com o jeito que as flores estavam antes e a mamãe reclamou bastante com o papai naquele dia. Dificilmente o papai ia se aventurar na chuva para mexer no canteiro de novo. Lucas ficou desapontado quando entendeu que não poderia salvar as flores da mamãe. Ele sabia que não podia sair na chuva e também sabia que o seu pai não faria isso também.

E foi exatamente quando pensava nisso que um raio riscou o céu e um trovão fez um barulhão que assustou todo mundo na casa. Menos a mãe de Lucas, que ainda não tinha chegado do trabalho. A irmã dele veio correndo do quarto e se abraçou ao irmão no sofá da sala.

- Não precisa ter medo, Joana - disse Lucas. É só um relâmpago!

- Ah, mas eu tenho medo de trovões sim, Lucas! respondeu a irmã.

- Mas não precisa. Estamos seguros aqui em casa. Só as flores lá fora é que não estão muito seguras…

- Como assim? perguntou Joana. Não estão seguras? Por que não?

Lucas então contou toda a história, falando do bicho no canteiro.

- Ora Lucas, as capas de chuvas foram feitas para momentos como esse, respondeu Joana. Vou pegar uma na garagem para você! Com aquela capa na mão, Lucas se sentiu um super-herói.

Agora sim ele sentia que finalmente poderia ir até o canteiro e salvar as flores da mamãe. Acompanhado da irmã, Lucas se aproximou da porta da sala. Ainda hesitante, ele gira a maçaneta com uma das mãos. Com a outra, segura a capa de chuva.

O vento frio e molhado atravessa o vão enquanto a porta vai se abrindo lentamente. Lucas percebe que a chuva continua forte. Mas ele sabe que é agora ou nunca. Dá um passo e atravessa o portal rumo ao jardim. Ele sente o vento no rosto e algumas gotas de chuva caem em seus braços.

“É melhor colocar a capa de chuva agora”, ele pensa.

Relutando mais uma vez, Lucas avalia se não seria melhor voltar para dentro de casa, para aquele sofá quentinho, onde deixou a sua coberta. Mas agora é tarde demais. Ele já decidiu salvar as flores da mamãe! Finalmente decidido, Lucas calça o tênis molhado, por cima das meias molhadas.

A irmã diz que é a hora de vestir a capa de chuva. Ele coloca aquele roupão de plástico amarelo e dá o primeiro passo sobre a grama encharcada. Mal pisou do lado de fora, Lucas ouviu gritar o seu nome. O coração gelou. Será o pai dele? Se fosse, seria um desastre - ele ficaria de castigo na certa.

Será que era a mamãe? Seria pior ainda, certamente ela não entenderia a sua intenção de salvar as flores e o risco de ficar de castigo era muito maior. Lucas olhou para um lado, para o outro, mas não viu ninguém. Olhou para trás e viu apenas a sua irmã, que já tinha fechado a porta e o espiava pela janela da sala.

Olhou para cima e algumas gotas de chuva caíram em seus olhos, mas deu para ver que não tinha ninguém nas janelas dos quartos no segundo andar de sua casa. De onde vinha aquela voz? Foi na segunda vez que ouviu o seu nome sendo chamado que Lucas percebeu. Estavam gritando o seu nome desde a casa do vizinho. André, amigo de Lucas, estava vendo tudo da janela de seu quarto.

- Lucas? O que você está fazendo nessa chuva? Perdeu o juízo, foi?

- Não é nada disso, André.

Estou em uma missão de salvamento.

- Missão de salvamento? Que papo é esse?

- Vou salvar as flores da mamãe.

Tem um bicho ali no canteiro e vai destruir as margaridas da mamãe.

Não posso deixar que isso aconteça.

- Mas e se você ficar gripado? Vai perder o nosso campeonato de futebol!

- Vale a pena correr o risco.

- Entendi...

Então vou ficar torcendo por você aqui tá? Posso ajudar em alguma coisa?

- Obrigado! Mas não sei como você poderia me ajudar.

- Vou ficar aqui olhando, se precisar de alguma coisa grita.

- Combinado!

Lucas ficou feliz de ter alguém torcendo por ele.

Talvez o André pudesse ajudar em algum momento.

Talvez pudesse ficar de olho para o caso de o pai ou a mãe de Lucas aparecerem de repente.

Ele poderia avisar e assim Lucas conseguiria evitar ser pego no flagra.

Mas não deu tempo de pedir para André ficar de guarda.

Antes que Lucas sugerisse isso, mais alguém o descobriu! Ele sentiu no chão os passos rápidos vindo em sua direção.

Na verdade, o seu descobridor estava correndo para cima dele.

E carregava uma bola na boca.

Era o cachorro da família, o Douglas.

Ele achou que Lucas tinha saído para brincar na chuva, e como todo labrador adora água, ele veio participar da festa também.

Lucas tentou se esquivar, mas como escapar de um cachorro de trinta quilos? Não teve jeito.

Douglas derrubou Lucas na grama molhada e ambos ficaram todos sujos de lama.

A capa de chuva não teria mais qualquer utilidade a partir dali.

Mas Lucas tinha outro problema agora: como evitar que o Douglas chamasse a atenção do pai dele e estragasse todo o seu plano? Só tinha um jeito.

Lucas pegou a bola que Douglas tinha trazido, jogou para dentro do canil e correu para fechá-lo assim que o cachorro entrou.

Deu certo.

Douglas ficou bem decepcionado, com aquele olhar de quem só queria brincar um pouco, mas Lucas sabia que aquilo era necessário.

- Juro que quando tudo isso acabar vou te dar um pacote inteiro de biscoitos, Douglas - falou baixinho para o cão.

Vencido o desafio de escapar de Douglas, Lucas correu para se proteger um pouco da chuva e acabou se abrigando debaixo do balanço no quintal.

Ali ele pôde dar uma boa olhada na situação.

A chuva continuava forte.

A sua roupa estava toda molhada.

O canteiro ainda estava do outro lado do quintal.

Lucas estava exatamente no meio do caminho.

Olhando para a garagem, Lucas se certificou de ainda tinha apenas um carro lá, o do papai.

Isso significava que a mãe dele ainda não havia chegado.

Viu também que seu amigo André continuava firme na observação, desde a janela do seu quarto, na casa vizinha.

Ele fez um gesto de jóia com o polegar, sinalizando que estava tudo sob controle, a missão podia continuar.

Mas aquela sensação de não estar ali sozinho o assombrou novamente.

Lucas sentiu que ele não havia sido o único a escolher aquele local para se abrigar.

Um pequeno gatinho amarelo, com olhos azuis e pelo ensopado, olhava Lucas em silêncio, enquanto o menino fazia aquele rápido reconhecimento de área.

O bichano o olhava evidentemente com medo de ser afugentado como acabara de acontecer com o Douglas.

Lucas se virou para ele com carinho e resolveu embrulhá-lo com a sua capa de chuva.

Pelo estado em que se encontrava, ela não lhe seria mais tão útil mesmo.

Lucas estava disposto a seguir a jornada sem ela e se molhar mais um pouco.

O gato agradeceu com um ronronar.

Lucas olhou mais uma vez ao redor.

Seu amigo André continuava em seu posto de observação.

A chuva não dava trégua e ainda caía forte.

Havia ainda um bom caminho até o canteiro de flores, do outro lado do jardim.

O gatinho estava agasalhado.

"É agora ou nunca", pensou Lucas.

Saindo de debaixo do balanço, ele se levantou e correu em direção ao seu maior desafio.

Cada poça de lama pisada era um passo a mais rumo às flores da mamãe e ao confronto final.

Quando chegou bem perto do canteiro ele viu - lá estava o bicho.

A pequena cauda, meio verde, meio marrom, se movimentava perigosamente entre as plantas.

Lucas se encheu de coragem e partiu para cima do invasor.

A luta foi severa.

Lucas lançou mão de um cabo de vassoura, o que só serviu para despertar a ira do adversário quando se viu ameaçado pelo bastão.

O bicho saltou contra o menino, jogando-o no chão.

Lucas girou de um lado para o outro tentando se desvencilhar do animal que golpeava o cabo de vassoura, mas ele se mostrou muito rápido e ágil.

Por mais que o garoto tentasse afastá-lo com as mãos, parecia impossível se livrar dele.

Ficaram rolando na lama enquanto a chuva continuava caindo forte, aos olhos de André que torcia desesperado.

Foi nesse momento que Lucas percebeu um reforço inusitado entrar em cena: ele viu a sua capa de chuva amarela se aproximar dele.

- Ué?! Será que essa capa de chuva é mágica? Será que ela está vindo me ajudar?

Ele não pode prestar muita atenção para tentar entender melhor aquilo que estava vendo, porque o animal não parava de atacá-lo.

Lucas tentava, em vão, se proteger.

Mas, por incrível que pareça, houve um momento de paz quando seu adversário também percebeu a capa de chuva que se movia.

Os ataques cessaram enquanto aquele plástico amarelo caminhava para perto deles.

A capa se movia lentamente e parecia hipnotizá-los.

Tanto o animal quanto Lucas se sentaram na grama encharcada, sem conseguir tirar os olhos dela.

Enquanto seguia em direção a eles, a capa de chuva se prendeu em uma pedra no chão e parou.

Foi nesse instante que Lucas ouviu pequenos miados, bem baixinho, bem por debaixo da capa.

Para decepção de Lucas, quando a sua capa voltou a se mexer, ele descobriu que ela não era nada mágica.

Na verdade, o gatinho que ele havia protegido com a capa de chuva o tinha seguido até ali, ainda embrulhado com ela.

Voltando a caminhar e miar baixinho, o gatinho deixou para trás a capa e chegou bem pertinho deles.

Lucas se preparou para defender o gatinho do monstro contra quem até bem pouco lutava, mas não foi necessário.

Lucas percebeu que o gatinho na verdade não estava procurando por ele, mas sim pelo seu adversário. Depois que a luta deles havia sido interrompida pela capa misteriosa e ambos haviam se sentado no jardim, a chuva foi aos poucos limpando toda a lama que cobria o bicho.

Agora Lucas podia perceber que a cauda do inimigo, que antes parecia meio marrom, meio verde, por causa da lama, era na verdade de outra cor.

A chuva estava revelando que ela era... amarela!

- Não é possível! Exclamou Lucas.

Mas era isso mesmo. O gatinho estava na verdade indo ao encontro de sua mamãe, uma gata amarela como ele. A essa altura, a chuva já tinha tirado-lhe toda a lama e Lucas podia ver que seu adversário era na verdade uma linda gata amarela, que agora lambia carinhosamente o seu filhote.

Em poucos instantes, os dois começaram a caminhar juntos em direção ao canteiro de flores e Lucas os acompanhou com o olhar.

Depois, se aproximou com cuidado e viu que havia mais dois gatinhos ali.

Era uma família de gatos se protegendo da chuva.

A visão daquela linda cena em família, contudo, foi subitamente interrompida por um grito:

- Lucas, cuidado! Sua mãe está chegando!

Era André, que do alto da sua torre de observação avisava o amigo sobre o iminente perigo da descoberta de sua aventura na chuva.

Lucas correu o mais rápido que pôde, mas ao chegar na garagem foi flagrado pelos faróis do carro de sua mãe.

- Mas o que é isso, Lucas? Eu não estou acreditando! Você estava na chuva, menino!?

Lucas calou.

Sabia que não tinha escapatória. Ouviu a bronca e seguiu para seu quarto, de castigo.Depois de um banho quente, sua mãe o surpreendeu com uma sopinha também quente. Parecia menos brava.

- Deixa eu ver esse pé, Lucas. Olha só, ainda tá gelado! Tá roxa! Isso não foi só a chuva! Você ficou com as meias molhadas depois que chegou do colégio, não foi? Quantas vezes eu tenho que te dizer para não fazer isso, meu filho?

- Sim, mamãe… Mas foi por uma boa causa, mamãe!

- Ah, é?! Então me surpreenda! Conte lá que boa causa foi essa!

Lucas contou a história do início a o fim, explicando que sua intenção era salvar as flores da mamãe.

Depois de um tempo em silêncio, ela abraçou o menino e agradeceu.

- Lucas, eu fico muito feliz de você ter esse cuidado com as coisas que a mamãe gosta.

Mas as flores não são mais importantes para mim do que você!

- Sim mamãe…

- Sei que às vezes parece que eu crio regras bobas. Mas eu faço isso porque te amo e quero te proteger. Como a mamãe gata que lutou pelos filhotinhos dela…

- A regra de não usar meias molhadas é para me proteger?

- Sim! Bom, talvez você não se lembre, mas quando você era bem pequeno, você teve uma gripe muito forte, foi até parar no hospital.

Depois disso, a gente passou a ter o maior cuidado para você não pegar nem resfriado...

- Mas eu continuei gostando de ficar com as meias molhadas no pé…

- Sim e ficou gripado de novo, lembra? Você até perdeu a final do seu campeonato de futebol...

A mãe de Lucas também explicou o porquê de outras regras, e Lucas foi percebendo que elas não tinham nada de bobas.

Todas tinham um motivo e no fundo o motivo era protegê-lo. Ela também contou sobre uma outra pessoa, que assim como ele teve problemas com uma forte chuva, mas foi protegida pela sua obediência.

Ela falou sobre Noé, e descreveu como ele foi obediente à ordem de Deus para construir uma arca. Imagina se ele não tivesse obedecido? Como ficariam ele a sua família?

- Deus protegeu Noé da chuva e do frio com um mandamento, Lucas.

Essa é uma das maneiras pelas quais os pais cuidam das suas crianças. Às vezes pode ser que as ordens pareçam não fazer sentido - muita gente riu de Noé por construir a arca. Mas os pais, assim como Deus, conseguem ver além e sabem o que é melhor para seus filhos.

- Entendi, mãe. Então os pais protegem os filhos com regras, né?

- Sim, filho!

- Então eu sou o menino mais protegido do mundo, viu! Você cria uma regra nova todo dia aqui!

- Mas, gente! Se orienta, menino! Lucas, me diga que você entendeu...

- Sim mamãe! Pode comprar um pacote novo de meias que eu prometo que vou usá-las do jeito que você mandou! Sujou, molhou, eu vou jogar fora!

- Que isso, menino! Não é assim também não? Quer falir a gente, é? Basta colocar as meias para lavar e usar de novo, ora essa!

Os dois riram, oraram juntos e Lucas dormiu um sono tranquilo, pensando no quanto era sortudo por ter uma mãe que o protege com regras e um Deus que o guarda com mandamentos cheios de amor.

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