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Leo aprende a enxergar com os olhos da fé
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Leo aprende a enxergar com os olhos da fé

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Havia, em uma pequena cidade do interior, um menino de 7 anos chamado Léo.

Um belo dia, Léo recebeu um presente do pai: um jogo de xadrez que ele havia encontrado na rua.

No dia seguinte, que era um domingo, os dois passaram a manhã inteira se divertindo juntos e tentando aprender as regras do jogo que estavam escritas na caixa.

Eles não tinham ideia do que essa novidade ia trazer para a vida deles!

E como eles não tinham uma mesa em casa, eles passaram a jogar xadrez no chão mesmo, todos os dias à noite, depois que o pai chegava do trabalho.

E logo Léo mostrou ter aprendido todas as regras e estratégias, passando a vencer o pai em todas as partidas.

Seu pai não ficava chateado não, na verdade ele ficava todo orgulhoso do filho e os dois se divertiam bastante todas as noites!

Não demorou muito para que Léo começasse a competir na sua escola também.

Em pouco tempo ele se tornou uma lenda entre seus colegas, já que vencia todos eles com muita facilidade.

Depois, Léo passou a disputar partidas de xadrez com os campeões de outras escolas de sua cidade, até se tornar campeão estadual de xadrez.

Por conta de tantas vitórias, um belo dia Léo recebeu uma carta misteriosa.

Ela tinha o Brasão da República, o símbolo oficial do governo do Brasil.

Era um convite para ele ir até Brasília, para participar do campeonato nacional de xadrez.

Lá ele enfrentaria os maiores campeões de cada estado brasileiro, para definir quem era o melhor jogador de xadrez do Brasil.

A família de Léo ficou muito feliz com o convite! Todos o abraçaram e juntos fizeram uma grande comemoração em casa.

Eles não tinham um banquete especial para oferecer a Léo, mas sua mãe caprichou na sopa aquele dia.

Enquanto comiam, o Léo ficava o tempo todo imaginando como seria se ele se tornasse mesmo campeão nacional de xadrez.

Ele sabia que o campeão iria representar o Brasil em disputas internacionais, com os campeões de outros países.

Imagina só, Léo poderia conhecer o mundo inteiro!

Isso era muito legal! Era um sonho que iria se realizar.

Léo ia viajar pelo mundo fazendo o que mais gosta: jogar xadrez!

Mas esse nem era o maior motivo da expectativa de Léo.

Na verdade, ainda tinha um outro bom motivo para ele querer ganhar o campeonato nacional.

Além das viagens, Léo sabia que havia um grande prêmio em dinheiro para o vencedor, um prêmio que ele podia usar para uma casa nova para sua mãe, com uma mesa bem grande e a geladeira bem cheia.

Quem sabe até uma bicicleta nova para pai? Esse sim era o seu maior sonho a ser realizado.

Léo não tinha dúvidas de sua capacidade de vencer o campeonato.

Ele sabia que tinha muita chance de ganhar, afinal tinha se preparado a vida para se tornar um grande campeão do xadrez.

Todas as tardes ele ficava na biblioteca da escola lendo livros sobre as mais vitoriosas e históricas estratégias do xadrez. Ele já tinha lido sobre todos os maiores jogadores de xadrez da história e aprendendo sobre suas técnicas.

Àquela altura, Léo era praticamente imbatível naquele esporte.

E ele se esforçava muito, todos os dias para melhorar ainda mais.

Porém, Léo sabia que havia um grande obstáculo no seu caminho.

E não tinha nada a ver com a sua habilidade no xadrez.

O problema é que o convite para o campeonato nacional não vinha com a passagem de avião.

E Léo sabia que sua família não tinha condições financeiras de pagar a viagem para Brasília.

E o pior é que eles moravam muito longe da capital e nunca tinham sequer viajado para outra cidade.

O dinheiro que seu pai ganhava só dava para comprar a comida do dia-a-dia e o material escolar para seu filho estudar.

Como eles poderiam pagar uma viagem para tão longe?

Léo sabia que não seria nada fácil conseguir tornar aquele sonho realidade…

Quando percebeu que seus pais não conseguiriam pagar sua viagem para Brasília, Léo começou a buscar uma solução.

Todos os dias pela manhã ele vinha com uma nova ideia:

- Pai, e se nós formos a pé?

- Bom, acho que eu ainda tenho um mapa velho que encontrei na rua há muito tempo… Vamos dar uma olhada nele.

Aqui está! Deixa eu ver, sim aqui está dizendo que a pé são seis meses até chegar em Brasília.

- Aí não vai dar tempo, pai! O campeonato começa no mês que vem!

- Então, vamos continuar pensando, filho! Vamos encontrar uma solução.

E lá ia Léo, pensativo.

Pensava na escola, pensava quando chegava em casa.

Ia dormir tarde da noite pensando, e na manhã seguinte, apresentava outra ideia.

- Bom dia, pai.

Tive outra ideia.

Se a pé não dá certo… que tal irmos de bicicleta?

- Parece uma boa ideia! Afinal de contas, eu tenho uma bicicleta! Deixa eu ver aqui no mapa de novo… Bom, de bicicleta são quatro meses…

- Puxa, pai.

Quatro meses… o campeonato é mês que vem!

- Continue tentando filho.

Você consegue!

E na manhã seguinte:

- Pai, será que conseguiríamos pagar uma passagem de ônibus?

- De ônibus? Bom, teríamos que vender algumas coisas para conseguir pagar a passagem, como a bicicleta que uso para ir ao trabalho, mas acho que dá sim! Vá até a rodoviária e veja quando saí o próximo ônibus!

Léo saiu correndo todo animado e seus pais ficaram sentados na calçada em frente de casa, olhando ele sumir no horizonte rumo à rodoviária da cidade.

Mas não demorou muito e ele estava de volta, de cabeça baixa e ombros caídos:

- Ah, não pai.

Parece que o ônibus que vai para Brasília passa uma vez por mês aqui na nossa cidade, e esse mês ele já foi.

Passou ontem!

- Puxa, filho! Se a gente tivesse pensado nessa ideia lá no começo teria dado tempo!

- É verdade pai.

E o pior é que o moço da rodoviária me disse que mesmo se eu pegar o ônibus do mês que vem, chegaria uma semana atrasado para o campeonato, pai.

- Não desista, filho.

Continue tentando! Você vai encontrar uma solução.

Depois de alguns dias, o pai reparou que Léo já não trazia novas ideias pela manhã.

Ele apenas se sentava no chão e comia o seu cuzcuz calado e cabisbaixo.

Com as sobrancelhas franzidas, o pai perguntou:

- Filho! O que me diz? Encontrou uma solução para a sua viagem para o campeonato de xadrez em Brasília?

- Não, pai.

Desisti.

O único jeito de ir seria de avião mesmo.

Mas, infelizmente, sei que não temos condições de pagar uma passagem para mim.

Tá tudo bem.

Enquanto via Léo se levantando, colocando a mochila nas costas e saindo triste a caminho da escola, seu pai ficou pensando em como poderia ajudar seu filho a realizar aquele sonho.

Então, ele decidiu lhe dar o que ele tinha de mais precioso, algo que poderia resolver tudo.

Ele esperou até a noite para conversar com o filho e assim que chegou do trabalho, foi até o quarto de Léo.

Quando entrou no quarto filho, as peças de xadrez espalhadas pelo chão deixavam claro para o pai que as coisas não estavam nada bem.

Sentando-se ao lado dele na cama, ele disse:

- Filho, não fique assim tão triste.

- Mas eu queria muito participar do campeonato, pai - respondeu Léo, quase chorando.

- Eu sei, filho.

Mas você tentou tudo o que podia para conseguir ir?

- Sim, pai.

Já tentei de tudo.

As opções que podemos escolher, ir a pé, ou de bicicleta, ou de ônibus, todas elas chegam depois que o campeonato já acabou.

A única que chega na hora seria de avião, mas não podemos pagar a passagem, é muito caro.

Eu não consigo enxergar nenhuma solução.

- É aí que está a solução, filho.

- Você quis dizer que é aí que está o problema, não pai?

- Não, eu quis dizer o que eu disse mesmo.

Aí está a solução.

- Como assim? Não entendi, pai.

- Ué, se o avião é a única opção, ele é a solução.

- Mas pai, como ir de avião pode ser uma solução se não podemos pagar a passagem?

- Lembra o que você falou, filho? Você não está enxergando uma solução, mas isso não significa que ela não exista.

- Como assim, pai?

- Eu decidi compartilhar com você a coisa mais preciosa que eu tenho para te ajudar a realizar o seu sonho, E o que eu tenho de mais precioso na minha vida é a minha fé.

Eu creio que Deus pode nos mostrar um caminho que não estamos vendo.

Ore e deixe Deus te dar uma resposta.

- Amém, pai - respondeu Léo, um pouco mais confiante.

Depois que o pai saiu do quarto, Léo se ajoelhou ao lado da cama e orou como nunca tinha feito antes.

Ele contou tudo para Deus, seu sonho, as dificuldades, e como isso seria uma grande vitória, não só para ele, mas para toda a sua família.

Ele pediu para que o Senhor lhe mostrasse uma solução e depois dormiu.

Dormiu um sono tranquilo, como não acontecia há muito tempo.

No dia seguinte, Léo acordou bem cedo e contou para o pai um sonho estranho que teve naquela noite.

- Bom dia, filho! E então, você já recebeu alguma resposta?

- Mais ou menos, pai.

- Como assim mais ou menos?

- Bom, eu tive um sonho.

Mas não sei como isso poderia nos ajudar…

- Hum… Vamos ver.

Me conte como foi o seu sonho.

Léo contou então que no seu sonho ele via um monte de pessoas ao seu redor, todas sorridentes, mas ele não conseguia identificar quem eram, porque a imagem parecia meio embaçada.

Depois, ele sentia que começava a subir, cada vez mais alto, vendo as pessoas bem pequenininhas lá embaixo cada vez mais difícil de saber quem eram.

Havia uma pequena caixa em seu colo também.

E isso era tudo o que ele se lembrava do sonho.

Depois de ouvir, o pai disse:

- Hum, imagem embaçada, né filho? Bem, você lembra daquela vez em que Jesus curou um cego em Betsaida?

- Mais ou menos, pai.

Lembro de ter lido essa história na Bíblia, mas não lembro de como aconteceu exatamente.

- Então deixa eu refrescar a sua memória porque aconteceu com ele algo muito parecido com isso que aconteceu com você no sonho.

O pai começou a contar então a história de quando Jesus chegou à cidade de Betsaida e ali encontrou um homem cego, que clamava para ser curado.

Jesus então toca os seus olhos e o homem passa a enxergar, porém ainda vê apenas imagens embaçadas.

Ele diz que vê homens como se fossem árvores Jesus então toca novamente em seus olhos, momento no qual o homem passa a ver perfeitamente tudo à sua volta.

- Ah sim, lembrei da história, pai.

Mas ainda não entendi como ela pode me ajudar.

- Filho, às vezes na vida nós não conseguimos enxergar uma solução para os nossos problemas.

Estamos como o cego de Betsaida.

Nessa hora, devemos pedir orientação a Deus, que sempre nos ouve.

Foi o que você fez ontem na sua oração.

Mas pode ser que não compreendamos bem a solução que o Senhor está nos mostrando.

É como quando o cego passa a enxergar, mas não vê as coisas claramente.

Então é hora de continuar pedindo a Deus orientação, até que possamos enxergar claramente a vontade dele para as nossas vidas.

- Entendi pai! Então hoje eu vou orar novamente e eu creio que Deus vai me dizer o que devo fazer!

Depois de ouvir a história de Jesus curando o cego de Betsaida, Léo foi para a escola e ficou o tempo todo pensando no que seu pai tinha dito.

À tarde, na biblioteca, ele pegou uma Bíblia e releu a história toda.

À noite, quando chegou em casa, tomou rápido a sua sopa e correu para o quarto, orou e foi dormir, na expectativa do que Deus lhe diria em sonho.

No dia seguinte, pela manhã, ele correu para contar para o pai a continuação do sonho:

- Pai, agora eu entendi tudo! As pessoas que estavam ao meu redor sorrindo estavam felizes porque estavam me vendo dentro do avião indo para Brasília! Era por isso que eu tinha a sensação de estar subindo e vendo eles cada vez mais pequenininhos lá embaixo!

- Que ótimo filho!

- E tem mais pai! No avião eu abria uma caixinha que estava no meu colo e dentro dela tinha um brigadeiro e um envelope.

No envelope tinha o nome de todas aquelas pessoas que sorriam para mim e do lado dos nomes tinha um número.

Mas eu não sei o que significa isso.

Naquela mesma hora o pai entendeu tudo.

O brigadeiro dentro da caixa era a solução! E os números significavam quantos brigadeiros cada uma daquelas pessoas sorridentes tinham comprado para ajudar Léo a comprar a passagem de avião.

Pronto! Essa era a estratégia que Deus estava dando para eles resolverem aquela situação.

Quando Léo ouviu a explicação do pai, tudo fez sentido! Eles foram direto para a cozinha e junto com a mãe fizeram dezenas de brigadeiros.

Enfeitaram tudo em embalagens bem bonitas e levaram para a igreja no domingo.

Lá, eles contaram a história toda para os amigos da família, explicando porque estavam vendendo brigadeiros.

Muitas pessoas compraram: alguns levaram apenas um brigadeiro, outros compraram vários, mas no final não sobrou nenhum brigadeiro na caixa.

Os brigadeiros fizeram muito sucesso e muitas pessoas ficaram querendo mais, só para ajudar um pouquinho mais o Léo.

Por isso, ele anotou em um papel os nomes e as quantidades que cada pessoa queria e no domingo seguinte trouxe mais brigadeiros e arrecadou ainda mais dinheiro.

Léo levou os brigadeiros para a escola também e depois de poucos dias ele já tinha o dinheiro para a sua viagem! Léo e o seu pai foram até o aeroporto de bicicleta e lá compraram a tão sonhada passagem para Brasília.

No dia do embarque, todas as pessoas que ajudaram Léo foram ao aeroporto se despedir dele.

Depois que o avião decolou, Léo pôde ver as pessoas ficando cada vez mais pequenininhas lá embaixo.

Quando não via mais nada além de nuvem, Léo abriu a sua mochila e encontrou uma caixinha lá.

Dentro dela tinha um brigadeiro e um envelope.

Ao abrir o envelope, Léo viu um papel com uma lista de nomes das pessoas que compraram brigadeiros e o ajudaram a realizar o seu sonho.

Ao lado de cada nome havia números, mas não eram pedidos de mais brigadeiros, nem o valor pago por cada um.

Eram versículos bíblicos.

No final do papel, havia uma mensagem de seu pai, que dizia assim:

- “Filho, eu e seus amigos estamos te entregando o que temos de mais valioso - a nossa fé.

Enquanto estiver realizando o seu sonho em Brasília, leia os versículos que estão ao lado dos nomes.

São os versículos que cada um de nós mais ama na Bíblia.

A Palavra de Deus tem sido luz para os nossos caminhos e será para o seu também.

Deus te abençoe, campeão!”

E com essa mensagem na cabeça Léo seguiu a sua viagem.

A partir daquele momento ele sabia que não importava mais o resultado do campeonato de xadrez.

Ele já tinha recebido o maior prêmio de todos.

Ele sentia crescer em seu coração uma fé que o acompanharia em todos os momentos de sua vida daqui para frente.

Enquanto olhava pela janela do avião, Léo sabia que sempre que um novo desafio aparecesse, Deus abençoaria seus olhos para que ele enxergasse uma nova solução.

E se no começo sua visão ainda parecesse meio embaçada, como no sonho, ele sabia que bastava confiar e continuar orando que logo ele veria as coisas como Deus vê.

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