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Ignora as piadinhas, Valentina
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Ignora as piadinhas, Valentina

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Era uma vez uma menina chamada Valentina.

Sua família morava em uma fazenda muito bonita e todos os dias ela se levantava bem cedinho para acompanhar seu pai enquanto ele cultivava vários tipos de alimento no campo.

Valentina amava o cheiro amadeirado da fazenda e a melhor parte do seu dia era quando ela se sentava ao lado de seu pai no trator, enquanto faziam buracos no chão para lançar as sementes.

Ela também gostava de regar as plantinhas e ver como elas iam crescendo um pouquinho a cada dia.

Valentina não se cansava de ficar impressionada com os pés de milho, que cresciam e cresciam, até quase tamparem toda a luz do sol.

Valentina gostava de correr por dentro do milharal, que ficava parecendo um túnel onde os carros da cidade passavam. igual ela tinha visto perto da casa da sua tia uma vez.

Mas Valentina não passava o dia inteiro na fazenda não.

Todo dia, depois do almoço, sua mãe a pegava pela mão, abria uma sombrinha - que Valentina não sabia porque se chamava assim, já que era igual a um guarda-chuvas - e ia caminhando com outras crianças para a escola.

Ela era uma ótima aluna, sempre prestava atenção nas aulas e tirava notas boas, mas como nem tudo é perfeito, tinha uma matéria que Valentina não gostava.

Ela até suspirava desanimada quando sabia que ia ter aula de ... ciências.

Por incrível que pareça, Valentina não suportava essa matéria.

Ela não entendia porque a professora insistia em dizer que os cientistas era quem sabiam tudo sobre os animais, as plantas e os elementos da natureza. “Como isso seria possível”, pensava ela. “São os fazendeiros que cuidam dos animais e das plantas, elas é quem sabem de tudo! Os cientistas ficam só no laboratório, nunca viram uma vaca na vida.”

Todos os colegas de Valentina já sabiam que depois da escola ela ia repetir o que sempre dizia, que eram os fazendeiros que deveriam dar aulas sobre plantas e animais na escola.

O tempo foi passando e, como o Valentina não gostava das aulas de ciências, suas notas foram só piorando.

Até que, já no final do ano, a professora chamou o pai de Valentina para conversar.

Ela explicou a situação e deixou o pai bem preocupado:

- Mas ainda tem um jeito - disse ela

- Me diga logo! - respondeu o pai, esperançoso.

- Se o Valentina tirar uma boa nota na feira de ciências, talvez ainda consiga passar de ano.

O pai foi para casa pensando em como poderia ajudar a filha a participar daquela feira de ciências.

E mais importante do que isso, como ele poderia ajudar a filha a tirar uma boa nota.

Depois do jantar, quase na hora de dormir, o pai teve uma conversa com Valentina.

- Filha, você sabe que as suas notas em ciências não estão boas né?

- Sim pai, eu sei.

- Você sabe que se elas não melhorarem, você pode até reprovar de ano, não sabe?

- Sim pai, eu também sei disso.

Mas é porque eu não gosto de ciências.

Os cientistas não sabem de nada, os fazendeiros é quem sabem tudo sobre animais e plantas!

- Eu acho muito bonito você pensar assim, filha.

Mas nós precisamos dar um jeito nas suas notas.

E para isso, eu tenho um plano.

- Qual pai?

O pai então explicou que Valentina poderia levar um experimento para a feira de ciências mostrando que a opinião dela sobre os fazendeiros estava certa.

Assim ela se empenharia em fazer um bom trabalho, porque estava defendendo a sua opinião, e com certeza ia receber uma boa nota.

Os dois ficaram um bom tempo pensando em como elas poderiam fazer isso...

- Já sei, pai! E se eu fizesse uma fazenda de formigas?

- Como assim? - perguntou o pai

- Se eu conseguir treinar as formigas a trabalharem, vou provar que os fazendeiros sabem mais dessas coisas do que os cientistas!

Boa ideia, filha!

Valentina ficou tão empolgado com a ideia que quase não conseguiu dormir.

Ficou um tempão pensando como iria arrumar tantas formigas e como iria treiná-las.

No dia seguinte, ela não conseguiu segurar a empolgação e acabou contando para os colegas o plano que tinha bolado com o seu pai.

Mas os coleguinhas de Valentina não apoiaram muito a ideia dela.

Pelo contrário.

Eles ficaram rindo, zombando e fazendo piadinhas, dizendo que o plano de Valentina era impossível, que era uma grande bobagem.

Falaram que ela não era capaz nem de treinar um cãozinho a ficar sentado ou dar a pata, quanto mais treinar formigas!

Valentina ficou muito triste com o que ouviu e contou tudo para o seu pai.

- Não fique assim, filha.

Não deixe essas pessoas te desanimarem.

Aconteceu a mesma coisa com Noé, não se lembra?

- Com Noé, pai?

- Sim.

Na época do Dilúvio!

O pai então pegou a Bíblia e começou a ler a história da arca de Noé.

Naquela tempo as pessoas eram más e teimosas, não queriam obedecer a Deus.

Só Noé e sua família eram honestos, sinceros e obedientes.

Por conta disso, Deus avisou Noé sobre o Dilúvio que ele faria cair na terra.

Grandes chuvas iam destruir tudo, mas Deus não queria que os animais e nem Noé sofressem, e por isso o mandou construir um grande barco.

Noé tentou avisar o povo, falando para eles se arrependerem e buscarem a Deus, mas ninguém acreditava em Noé.

As pessoas ficavam era rindo, zombando e fazendo piadinhas:

- Nunca houve nem haverá uma chuva tão grande, Noé.

Você ficou doido - diziam alguns.

- Nós estamos no meio da selva, bem longe do mar.

Aqui nunca haverá uma inundação como essa que você está falando! - gritavam outros.

Mas no dia do dilúvio, todos viram que Noé estava com a razão e sabia melhor do que ninguém o que estava acontecendo.

- Se em vez de ficarem criticando eles tivessem respeitado e ouvido Noé, eles entenderiam o castigo de Deus que estava por vir, se arrependeriam, pediriam perdão e poderiam ter sido salvos, né pai?

- Sim filha! Com certeza Deus teria deixado aquelas pessoas entrarem na arca se tivessem se arrependido.

- Mas o que isso tem a ver com a minha história pai?

- Bom os seus coleguinhas estão rindo de você porque acham o seu plano impossível.

Aquelas pessoas também riram de Noé.

Ele desistiu por conta disso?

- Não, pai!

- E porque não desistiu?

- Porque ele não duvidava de que era capaz de cumprir o plano de construir a arca, afinal, Deus tinha falado para ele fazer então era porque ele era capaz.

Não ia ser um punhado de bobões rindo dele que ele ia parar né?

- E no final, o que aconteceu?

- Todos viram que Noé estava certo!

- E você, filha? Você vai parar por causa da zombaria dos outros?

- Não, pai! Eu não vou desistir! Vou levar o meu plano até o

E assim Valentina, começou a colocar o seu plano em prática.

Primeiro ela se despediu do seu peixinho, porque precisava do aquário.

Era nesse aquário grande e retangular que Valentina ia colocar a areia e as formigas.

Já fazia um bom tempo que ela estava mesmo pensando em soltar o peixinho no rio, para ele poder brincar com seus antigos amiguinhos peixes.

Depois, Valentina começou a capturar as formigas e treiná-las.

Para isso, ela passava chantily nas ferramentas e demais utensílios que as formigas deveriam usar.

E elas foram aprendendo, atraídas pelo gosto doce.

Em pouco tempo, as formigas já estavam se comportando como excelentes fazendeiras, para receber um pouco de chantily após as tarefas.

Até que chegou o grande dia.

Todos estavam ansiosos enquanto a professora de ciência e a diretora da escola passavam avaliando os projetos de cada aluno.

Quando elas chegaram perto de Valentina, ela logo tirou o pano que cobria o seu aquário, e começou a explicar muito empolgada como havia treinado as formigas a se comportarem como se estivessem trabalhando em uma fazenda.

- Tá vendo professora? O meu projeto de ciências prova que nós, os fazendeiros, entendemos muito mais de plantas e animais do que os cientistas, que só ficam em laboratório.

Duvido que eles conseguissem treinar formigas como eu e o meu pai fizemos - disse Valentina, toda orgulhosa.

- Você está certa, Valentina.

Na verdade, tudo o que os cientistas sabem, eles aprenderam com os fazendeiros - respondeu a professora, para a surpresa de Valentina.

- Como é? a menina parecia abismada.

- É isso mesmo.

Sempre que precisam entender melhor uma planta ou animal, os cientistas tem que sair do laboratório e ir até o local onde estão as plantas e animais e conversar com quem cuida delas de pertinho todos os dias.

Eles não encontram todas as respostas só no laboratório.

Todos precisamos uns dos outros, e os fazendeiros são muito importantes para todos nós!

Valentina ficou impressionada com o que a professora disse.

Então quer dizer que os cientistas são amigos dos fazendeiros? Elas são amigos e se ajudam? Todos os dois são importantes? Isso deu um nó na cabeça de Valentina.

Mas depois daquela dia, ela começou a se interessar mais pelas aulas de ciências.

Depois de muitos anos, Valentina foi para a faculdade e se tornou, ora vejam só, uma grande cientista, que pesquisava como utilizar formigas e outros insetos para proteger as plantas contra doenças e predadores.

Na sua carreira, ela teve que ainda teve que ignorar muitas zombaria e críticas, mas seu pai e aquela feira de ciências a preparam bem para isso.

Não seriam piadinhas bobas que a impediriam de cumprir o propósito de Deus para a sua vida.

Valentina se casou com um colega cientista e juntos tiveram uma filhinha, que um belo dia lhe perguntou:

- Mãe, você pode me ajudar com o meu projeto de ciências?

- Claro filha! Sobre o que é?

- Eu quero fazer uma fazenda, como a que a senhora fez quando tinha a minha idade!

- Que legal! Claro que eu ajudo!

- Então pode começar me ajudando a capturar jacarés.

- Jacarés? Como assim?

- Ué você provou que podia adestrar formigas para serem fazendeiras, não foi? Pois eu quero provar que dá para fazer a mesma coisa com os jacarés! Estou cansada de todo mundo ter medo deles, quero provar que eles não são maus nem ferozes, são bonzinhos e dóceis!

- Calma, filha! Vamos conversar melhor sobre isso

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