Enzo e uma doce lição em Gramado
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Numa cidadezinha bem distante daqui, onde as ruas eram tranquilas e as casas pareciam sorrir para o céu, havia um menino chamado Enzo, cheio de sonhos e imaginação.
Enzo tinha um sonho especial: ele queria conhecer a cidade encantada de Gramado, onde os melhores chocolates do país eram feitos.
Ele adorava chocolate e queria experimentar todos os sabores maravilhosos que essa cidade tinha para oferecer.
A cada noite, antes de dormir, Enzo fechava os olhos e imaginava as montanhas de Gramado, cobertas de neve e cheias de magia.
Ele sonhava em passear pelas ruas, entrar nas lojas de chocolate e provar cada pedacinho delicioso.
Seu pai já tinha prometido que se ele se comportasse bem o levaria um dia a Gramado.
E por isso Enzo se esforça muito para não cometer um mínimo deslize.
Ele sempre guardava os brinquedos, arrumava o banheiro depois de tomar banho, cumprimentava corretamente os adultos… Tudo isso para realizar seu grande sonho de conhecer Gramado.
Mas havia um pequeno problema.
Mesmo fazendo tudo certinho, o pai de Enzo ainda não tinha levado o filho nessa maravilhosa viagem por apenas um motivo.
Acontece que Enzo estava sendo muito espertinho.
Na verdade, o garoto só se comportava bem quando o pai estava por perto.
Na cabeça de Enzo, ele pensava assim:
“Se é o meu pai quem vai me levar para conhecer Gramado, então eu só preciso convencê-lo e mais ninguém.
Não preciso ser bonzinho o tempo todo.”
Pensando dessa maneira, Enzo só era um bom menino quando o pai estava por perto.
Logo que se via sozinho, o menino começava a se comportar mal.
Era assim na escola, por exemplo.
Depois que o pai o deixava na sala de aula, Enzo não obedecia a professora.
Ele pensava assim:
“Vai ser o meu pai quem vai me levar para Gramado e não a professora.
Então, não preciso ser um bom garoto aqui.”
A cena se repetia aos domingos, quando a família ia para a igreja.
Lá, Enzo ficava na salinha das crianças com 7 anos.
As tias eram muito dedicadas, passavam a semana toda preparando a aulinha, mas Enzo não se importava muito com isso.
Ele não prestava atenção nas lições e ficava só desenhando, esperando o tempo passar.
Ele pensava assim:
“Não vão ser essas tias que vão me levar para Gramado.
Então, não preciso ser bonzinho aqui.
Só preciso ser bonzinho perto do meu pai, mesmo.”
Entretanto, havia uma coisa que Enzo não sabia.
Na verdade, nada do que ele fazia ficava escondido.
O pai sabia de tudo.
E um belo dia, Enzo ficou sabendo disso.
Num belo domingo ensolarado, depois de irem ao culto da manhã, Enzo e seus pais decidiram aproveitar o dia juntos e foram ao shopping.
Depois de um almoço bem gostoso, eles decidiram que seria uma ótima ideia tomar sorvete para refrescar.
Enquanto saboreavam seus sorvetes coloridos, Enzo notou algo ao seu lado.
Um garotinho estava chorando alto e parecia muito chateado.
Ele reclamava com seus pais, que pareciam um pouco perdidos sem saber o que fazer.
- Eu quero o meu sorvete! Ele gritava.
- Mas filho, o seu sorvete caiu no chão! Vamos comprar outro.
- Eu não quero! Quero o que caiu no chão, nenhum outro serve! Esperneava o garoto.
Levou muito tempo e chateação até que o menino aceitasse que o pai comprasse 10 sorvetes para substituir o que tinha caído no chão.
Enzo viu toda a cena e logo tentou aproveitar para lembrar ao pai que ele era um bom garoto - pelo menos melhor do que aquele que tinha se comportado tão mal.
- Pai, você viu como aquele menino se comportou mal? Ainda bem que eu não sou assim, né pai… disse Enzo.
A intenção de Enzo era mostrar ao pai como ele era bonzinho e como ele merecia ir à Gramado, a sua viagem dos sonhos.
Mas o pai sabia muito bem como era o comportamento de Enzo, e aproveitou a oportunidade para ensiná-lo uma lição.
- Filho, você acha mesmo que você é melhor do que aquele menino?
- Como assim pai?
- Filho, eu sei que nem sempre você se comporta bem.
Mas acha que eu não sei.
Mas eu sei.
- Sabe?
- Sim, a sua mãe me conta.
E a professora também.
As tias da igreja também...
- Vish…, Enzo ficou bem preocupado…
O pai de Enzo, continuou:
- Eu sei que você apenas se comporta bem quando eu estou por perto.
E sei que você faz isso para conseguir a viagem que tanto quer.
Mas isso não está certo.
Você não pode se comportar como o fariseu.
- Qual fariseu, pai?
O pai de Enzo então contou a parábola do fariseu que orava no templo, todo orgulhoso de si mesmo.
Ele orava em voz alta para todo mundo ouvir, dizendo que era um bom homem, porque ia sempre à igreja, dava ofertas, lia a bíblia e ajudava as pessoas.
Do seu lado, havia um homem que orava baixinho, dizendo para Deus assim:
- Senhor, me perdoa.
Eu não fiz tudo certo essa semana.
Queria ter sido um melhor filho para o Senhor.
Me ajude a melhorar, eu quero alegrar o seu coração!
Quando ouviu isso, o fariseu orou mais alto ainda dizendo assim:
- Obrigado Deus porque eu não sou como esse homem que faz tudo errado.
Eu faço tudo certo e por isso mereço ser abençoado!
Nesse momento, Enzo interrompeu o pai, impressionado com a atitude do fariseu nessa parábola:
- Mas que coisa feia ele fez né, pai? Como ele pôde dizer isso do outro homem? Tadinho…
O pai de Enzo, continuou:
- Pois é filho.
E sabe o que Jesus disse no final da história?
- Não...
-Jesus disse que Deus ouviu a oração do homem arrependido, mas que não recebeu a oração do fariseu orgulhoso.
Porque Deus conhece o coração das pessoas e sabia que o fariseu não fazia as coisas certas porque amava Deus, mas sim porque queria ser admirado e reconhecido pelas pessoas.
- Foi mesmo pai?
- Sim! Deus nos conhece e sabe cada um dos nossos passos, Ele não pode ser enganado.
Enzo ouvia atentamente as palavras do pai, absorvendo aquela lição com surpresa e reflexão.
Ele começou a perceber que seu comportamento egoísta e oportunista não era a maneira correta de agir.
Seu pai continuou:
- Filho, eu entendo o seu desejo de ir para Gramado e experimentar os deliciosos chocolates.
No entanto, não podemos basear nossa bondade apenas em benefícios pessoais.
Devemos ser bons e honestos em todas as situações, não importa quem esteja nos observando.
Lembre-se de que Deus está sempre presente e nos vê, mesmo quando ninguém mais está por perto.
Enzo sentiu uma mistura de vergonha e inspiração.
Ele percebeu que a providência de Deus estava agindo em sua vida, mostrando-lhe o caminho certo a seguir.
Determinado a mudar, ele disse:
- Pai, eu entendi a lição.
Não quero mais ser apenas um bom menino quando o senhor está por perto.
Quero ser bom em todos os lugares e agir com amor e respeito em todos os momentos, sabendo que Deus está sempre ao meu lado.
O pai sorriu com ternura e fez um cafuné na cabeça de Enzo:
- Estou orgulhoso de você, meu filho.
Lembre-se de que a verdadeira bondade vem do coração e não busca recompensas materiais.
Quando agimos com integridade e com um coração honesto, estamos honrando a Deus e vivendo de acordo com Seus ensinamentos.
Enzo ficou feliz, mas mal sabia ele o que ainda estava por vir…
Depois daquela boa conversa com seu pai, Enzo se empenhou em ser uma pessoa melhor em todos os lugares.
Ele se tornou um aluno dedicado na escola, mostrando respeito à professora e até ajudando seus colegas.
Na igreja, ele começou a participar ativamente das atividades e também demonstrava muito interesse nas lições.
E em casa, Enzo passou a ajudar seus pais de coração aberto, compreendendo que a harmonia familiar era um presente de Deus.
Até que um belo dia, Enzo estava brincando no quintal de casa quando avistou um pequeno pássaro com penas coloridas, pousado no galho de uma árvore.
O pássaro olhou diretamente nos olhos de Enzo e começou a cantar uma melodia encantadora.
Intrigado, Enzo se aproximou devagar e percebeu que o pássaro tinha um bilhete amarrado em sua patinha.
Com cuidado, ele desamarrou o bilhete e começou a ler.
Era uma mensagem misteriosa, escrita com tinta dourada.
"Querido Enzo, você demonstrou um verdadeiro desejo de ser melhor, não apenas para ganhar uma viagem, mas para se tornar uma pessoa gentil e generosa.
Seu esforço e sua sinceridade tocaram meu coração.
Como recompensa, quero realizar seu sonho de conhecer a cidade encantada de Gramado."
Enzo ficou boquiaberto! Ele não conseguia acreditar no que estava lendo.
O pássaro voou para longe, deixando Enzo cheio de expectativa e alegria.
Dias depois, o pai de Enzo o chamou para uma conversa especial.
Ele tinha um grande sorriso no rosto enquanto segurava um envelope nas mãos.
- Filho, recebemos um convite para uma viagem a Gramado.
Um casal de amigos da Igreja decidiu nos presentear com essa oportunidade.
Eles foram tocados pela mudança que viram em você, Enzo, e querem compartilhar essa alegria com nossa família.
Enzo pulou de alegria, abraçando o pai com entusiasmo.
A viagem dos sonhos estava prestes a se tornar realidade, mas agora, era uma recompensa genuína por seu crescimento pessoal e pela bondade que ele havia demonstrado.
Em Gramado, Enzo e seu pai mergulharam em um mundo mágico de sabores e descobertas.
Eles visitaram as fábricas de chocolate, provaram as delícias locais e passearam pelas ruas encantadoras da cidade.
Mas, acima de tudo, eles celebraram o amor, a sinceridade e a verdadeira amizade que haviam construído ao longo da jornada.
E foi lá, em meio a sorrisos, abraços e compartilhando momentos especiais, que Enzo entendeu que a recompensa mais valiosa de todas não estava em um destino turístico, mas sim na conexão genuína com as pessoas que ele amava.
Desde então, Enzo manteve a lembrança de sua viagem especial como um tesouro em seu coração.
Ele nunca esqueceu a importância de ser verdadeiro consigo mesmo, de ser gentil e generoso em todas as situações, não importando onde estivesse.
E assim, Enzo cresceu como um menino sábio e inspirador, levando consigo a história de sua viagem encantada e espalhando a mensagem de amor e bondade por onde passava.
E, de tempos em tempos, um pequeno pássaro com penas coloridas aparecia para relembrá-lo do poder transformador de um coração verdadeiramente bondoso.