Devolvendo tudo em dobro
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Era uma vez um menino que gostava muito da escola onde estudava.
Ele gostava das árvores, que tinham muitas folhas e faziam uma sombra muito agradável.
Também gostava do jardim, cheio de flores, cada uma com uma cor mais bonita que a outra.
O nome do menino era João, e ele estava naquela escola desde que era bem pequeno.
Ele já estava com sete anos, e ainda se lembrava do seu primeiro dia de aula.
Foi difícil convencê-lo a sair do parquinho para conhecer seus colegas na sala de aula.
Todos os dias, João passava o intervalo brincando com seus amigos.
Eles gostavam de brincar de pique-alto, mas de vez em quando brincavam de pique-esconde também.
Quando estava chovendo e não era possível usar o pátio, eles brincavam de pedra-papel-tesoura.
Um dia, porém, nenhum dos meninos brincou.
Estava um dia tão quente que ninguém se animou em sair da sala, onde estava um clima mais agradável, por causa do ar condicionado.
Isso até as meninas começarem a gritar assustadas com um sapo que apareceu no corredor.
Aí alguns dos meninos se arriscaram a enfrentar o bicho e o calor.
Mas João ficou na sala.
Conforme a confusão aumentava lá fora, mais meninos iam ver o que estava acontecendo, até que João ficou sozinho na sala.
Ele estava lá distraído, quando um dos meninos deixou cair uma borracha da sua carteira, enquanto corria para o corredor.
João viu a borracha no chão e achou muito bonita.
Era azul em cima, pintada de verde dos lados e parecia perfeita para apagar os traços de um desenho quando se quer melhorá-lo.
João não pensou duas vezes: pegou a borracha do chão e colocou no seu bolso.
Mais tarde o sinal bateu e todas as crianças voltaram para a sala.
A aula agora era sobre matemática.
Enquanto a professora ensinava, os alunos escreviam no caderno, copiavam os números, tentavam fazer as contas e erravam bastante.
O que é normal quando se está aprendendo.
E errar não é um problema tão grande quando se tem uma boa borracha para apagar e começar de novo.
Era assim que Lucas, o dono da borracha que João escondeu, pensou.
Mas quando procurou pela sua borracha, não encontrou.
João ficou disfarçando enquanto o colega procurava a borracha.
O tempo ia passando, daqui a pouco era hora de ir embora, e nada do Lucas achar a borracha.
A professora mandou todos fecharem os livros e cadernos.
João sabia que Lucas ia tomar uma bronca quando chegasse em casa.
Primeiro por não ter feito a lição direito e segundo por ter perdido sua borracha.
João foi para casa, e durante o jantar não conseguia pensar em outra coisa. “Nesse momento, o Lucas deve estar de castigo já.” Esse pensamento não o deixava feliz, porque ele sabia muito bem onde estava a borracha: no seu bolso.
Na hora de dormir, João não aguentou e resolveu contar tudo para o seu pai.
Depois de ouvir atentamente a história, o pai disse:
- Filho, você sabe que o que fez não é certo…
- Sim pai, eu sei.
Na hora me pareceu uma boa ideia, mas agora estou arrependido.
- Filho, às vezes nós sentimos vontade de fazer o que é errado.
Mas nós precisamos lutar contra isso.
Deus nos ajuda nessa hora, basta a gente conversar com ele, pedir um conselho.
- Mas pai, e agora? Como eu resolvo essa situação?
- Bom, filho… Agora só resta fazer o mesmo que Zaqueu.
- Zaqueu? Quem é esse?
O pai passou a contar então a história de como um homem chamado Zaqueu conheceu Jesus.
Zaqueu era cobrador de imposto, mas ele não era honesto.
O governo mandava ele cobrar cem reais de cada pessoa, mas ele mentia dizendo que eles deviam pagar duzentos e às vezes até trezentos reais.
Aí ele passava uma parte do dinheiro para o governo e ficava com o resto.
Ele se tornou um homem muito rico, enganando e roubando as pessoas sem que elas soubessem.
Mas como na vida tudo que se planta também se colhe, Zaqueu não era um homem feliz.
A sua consciência estava cheia de arrependimento e medo de ser descoberto.
Até que um dia ele ouviu falar de Jesus e de como as pessoas se tornavam felizes depois que o conheciam.
Ele ficou sabendo que Jesus passaria por uma rua e correu para lá, para pelo menos ver Jesus de longe.
Mas como era muito baixinho, não conseguia ver nada.
Por isso, ele correu até ultrapassar a multidão e subiu em uma árvore, para enxergar melhor.
Quando Jesus finalmente chegou perto daquela árvore, perguntou porque Zaqueu estava lá.
Depois de ouvir a sua história disse: “Desça daí, Zaqueu.
Hoje eu vou jantar na sua casa”.
Chegando lá, Jesus passou um bom tempo conversando com Zaqueu, que chegou a uma importante conclusão: “Jesus, eu não sou feliz porque o que eu tenho na verdade não é meu.
São coisas que eu tomei das pessoas e por isso eu sofro tanto.
Eu plantei maldade e é isso que eu estou colhendo.
Por isso eu tomei uma decisão! Vou dar metade de tudo o que eu tenho aos pobres e vou devolver em dobro o que eu roubei das pessoas”.
Jesus ficou muito feliz em ver a mudança na vida de Zaqueu e disse “hoje a salvação chegou na sua casa”.
- Nossa pai, que história linda!
- Pois é filho, Jesus mudou a história daquele homem.
Zaqueu aprendeu que não vale a pena pegar o que é dos outros.
- Então, acho já sei o que vou fazer pai.
Vou seguir o exemplo de Zaqueu!
- Ah, que bom filho! E como você vai fazer isso?
- Então, amanhã cedinho eu vou entregar a borracha do Lucas.
E vou dar para ele também metade de todo o meu material escolar: as minhas canetinhas, os meus lápis de cor, os meus cadernos… Vou devolver em dobro o que eu peguei dele.
Vou até dar as minhas camisas do colégio!
- Calma filho, também não é assim né! Senão, eu é que vou ficar no prejuízo e ter que comprar tudo de novo!
- Então como eu faço!
- Que tal devolver a borracha e pagar um lanche para ele?
- Ah, boa ideia! Me dá dez reais aí então!
- Eu? Até parece! Eu não peguei a borracha de ninguém… Vai lá no seu cofre e pega os dez reais, meu jovem!