Como Renato venceu as emoções ruins cantando
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Era um vez um menino que se chamava Renato. Ele tinha 7 anos e era um menino muito divertido e esperto.
Renato tinha três irmãos e gostava muito de todos eles.
Todos os irmãos de Renato eram mais novos que ele e cada um dos irmãos tinha um jeitinho especial de ser.
Um deles se chamava José, e o que ele mais gostava de fazer era jogar futebol.
O outro irmão de Renato se chamava Lucas, e ele passava boa parte do tempo limpando e cuidando dos seus brinquedos, para que ficassem sempre novinhos.
Já o irmão mais novo de Renato se chamava Marcos, que tinha apenas dois anos e gostava muito de beijos e abraços, como todo bebê.
Renato gostava muito de brincar com seus irmãos, mas isso nem sempre dava certo.
José, por exemplo, não gostava de perder nas brincadeiras e jogos.
E isso sempre deixava Renato muito irritado, porque José até o derrubava no futebol para vencer o jogo.
Renato tinha raiva disso.
Com o Marcos, nem dava para brincar, porque ele nunca deixava ninguém nem tocar nos brinquedos que ele ganhava.
Ele queria que eles ficassem sempre novinhos e o pior é que ele conseguia! Por isso, Renato tinha inveja dele, já que seus brinquedos estavam sempre novinhos, brilhando.
E o Marcos? Ele era sempre o primeiro a abraçar o pai quando ele chegava do trabalho e por isso recebia um monte de beijos e abraços.
E Renato ficava com ciúmes deles.
Esses três sentimentos, a raiva, a inveja e o ciúme eram os três piores inimigos de Renato.
Ele sabia disso e tentava vencê-los, mas era muito, muito difícil.
Até que um dia, quando todos os irmãos estavam de férias, Renato acordou cedo, decidido a ter um dia bacana com seus irmãos e brincar bastante com eles.
Mas acabou que esses três sentimentos ruins atrapalharam tudo, e nada saiu como Renato esperava…
Naquele dia, Renato começou a colocar o seu plano em prática chamando seu irmão José para jogar futebol.
Tinha tudo para dar certo, afinal, essa era a brincadeira favorita do irmão.
E até que estava indo tudo muito bem, até que José fez 10 gols e não deixava Renato fazer nenhum.
Aí Renato ficou com tanta raiva que deu um chute na canela do irmão.
Da cozinha, a mãe dele viu o que aconteceu e colocou Renato de castigo até a hora do almoço.
Depois que saiu do castigo, Renato retomou seu plano.
Talvez ainda desse para salvar aquele dia e ter alguns bons momentos com seus outros irmãos.
Ele resolveu então ir brincar com Lucas.
Lucas, como sempre, estava muito ocupado, limpando seus brinquedos um por um, quando Renato chegou todo animado e pegou o primeiro boneco que viu pela frente, para se juntar logo ao irmão.
Mas essa acabou se revelando uma péssima ideia, porque aquele era o boneco preferido do Lucas, que rapidamente alertou o irmão:
- Renato, esse boneco não é para brincar.
É para guardar.
- Ah, é? respondeu Renato, enquanto colocava o boneco de volta no lugar.
Mas enquanto fazia isso, Renato não consegui tirar os olhos daquele boneco tão novinho, tão limpinho, que acabou ficando com tanta inveja que saiu correndo e enterrou o boneco no quintal, fazendo Lucas chorar aos berros.
Da cozinha, a mãe deles tinha visto tudo e colocou Renato de castigo mais uma vez, dessa vez até a hora do lanche da tarde.
Depois de sair do castigo e de tomar mais uma bronca da mãe, Renato ficou quietinho na sala, pensando em tudo o que tinha acontecido.
Até que de repente, ele vê o seu irmãozinho Marcos vir engatinhando, passar pela sala e ficar pertinho da porta de entrada da casa. Curioso, Renato se levanta do sofá e pergunta para o bebê:
- Marcos, o que você está fazendo aqui? Por que não está brincando por aí?
- Bom, a mamãe acabou de me dar banho.
- E daí?
- Daí que quando isso acontece, é porque está quase na hora do papai chegar.
- E você vem para a porta para ser o primeiro a recebê-lo?
- É porque assim eu ganho muitos beijos e abraços!
- Ah é? Pois hoje, não! Hoje eu é que vou ser o primeiro a ver o papai chegar!
Então Renato pegou o irmão e o colocou no berço.
É lógico que Marcos logo começou a chorar e da cozinha, sua mãe, que tinha visto tudo, não pensou duas vezes: colocou Renato de castigo mais uma vez…
Assim que Renato foi para seu terceiro castigo do dia por confusões com seus irmãos, seu pai chegou do trabalho.
Ele abraçou e beijou todos os filhos, começando pelo caçula, Marcos, que já o esperava na porta, todo feliz.
Foi nessa hora que ele percebeu a ausência de Renato e perguntou para sua esposa sobre ele.
Do quarto, Renato ouviu sua mãe contar tudo o que havia acontecido e o motivo de cada castigo que o menino tinha recebido.
Em seguida, Renato ouviu o som do pai batendo à porta do seu quarto.
- Pode entrar, papai - disse o menino, receoso com o que podia estar preste a acontecer.
- O que te levou a aprontar tanto hoje, meu filho?
- São os meus três maiores inimigos, pai!
- Você está me dizendo que os seus irmãos são seus inimigos??, perguntou o pai preocupado.
- Não, pai.
Eu amo os meus irmãos.
Mas às vezes eles me fazem sentir uns sentimentos ruins.
Esses sentimentos é que são os meus inimigos..
E eu não sei como vencê-los.
- Me explica isso melhor, filho
Renato então contou para o pai que muitas vezes não conseguia evitar a raiva que sentia quando José ganhava dele no futebol, muito menos conseguia controlar a inveja que sentia dos brinquedos sempre novinhos do Lucas e, pior ainda, ele não sabia como segurar o ciúme que sentia do seu irmãozinho Marcos, que sempre recebia muitos beijos e abraços de todo mundo.
- É filho, você tem um problema sério.
São três contra um.
Três sentimentos ruins contra um sentimento bom.
Você ama seus irmãos, mas às vezes sente raiva, inveja e ciúme.
Acho que só tem uma coisa a fazer.
- O que pai?
- Usar a estratégia do rei Josafá
- Rei Josafá? Aquele da Bíblia?
- Sim, ele mesmo! Certa vez, o rei Josafá estava em uma situação igualzinha a sua: três contra um.
Imagina só, ter que enfrentar três inimigos de uma vez!
- Como foi que isso aconteceu pai?
- Bom, foi quando três reis vizinhos de Israel se juntaram para derrotar o povo de Deus.
O rei Josafá não sabia o que fazer e consultou a Deus.
E então, ele recebeu uma estratégia infalível.
- Qual foi pai? O que ele usou? Dinamite?
- Não, filho! Foi algo muito melhor.
Algo que você tem aqui no seu quarto!
- Agora eu quero saber, pai! Me conta!
- Então, os reis inimigos de Josafá eram líderes dos moabitas, amonitas e edomitas, povos que Deus tinha mandado Moisés poupar quando o Israelitas vieram do Egito e venceram todos os inimigos.
Mas ao invés de se tornarem amigos de Israel, esses povos pagaram essa boa ação trazendo guerra ao povo de Deus.
- Ah, então foi igual meus irmãos fizeram comigo hoje!
- Só tem um detalhe: aqueles três povos se juntaram para combater Israel de propósito.
Seus irmãos fizeram isso também?
- Não, eles não combinaram nada, nem fizeram nada de propósito.
Na verdade, foram aqueles sentimentos ruins que eu tive que estragaram tudo.
- Isso mesmo.
Na história da Bíblia, aqueles três reinos se juntaram para derrotar o povo de Deus.
Eram três povos contra um.
Uma verdadeira covardia.
O rei Josafá, quando ficou sabendo do ataque, convocou todo o povo de Israel!
- Para irem para a guerra, pai? Foi isso que eu fiz hoje de amanhã, acordei decidido a vencer esses sentimentos e brincar com meus irmãos.
- Não filho.
Josafá não chamou eles para irem para a guerra não.
Na verdade, ele os chamou para irem para o Templo.
Juntos eles começaram a orar e pediram ajuda para Deus.
- Bom isso eu não fiz não, pai.
Deu certo para eles?
- Deu sim! Foi nessa hora que Deus deu aquela estratégia incrível para eles!
- E o que Deus disse pai?
- Disse que eles venceriam cantando.
- Como é que é?
Renato ouviu a história que seu pai contou sobre o rei Josafá mas não conseguia acreditar que a estratégia de Deus para vencer a guerra contra os três reis pudesse ser tão estranha!
- Como assim, pai? Com três exércitos marchando contra o país, Deus mandou o rei e os soldados cantarem?
- Isso mesmo, filho.
Deus disse que se o povo confiasse nEle, e mesmo diante dos soldados inimigos se mantivessem calmos adorando a Deus, o próprio Deus resolveria o problema.
- É sério? E deu certo, pai?
- Sim, foi exatamente o que aconteceu.
O povo de Deus saiu da cidade levando flautas ao invés de armas e ficaram todos na frente da muralha, esperando os exércitos inimigos.
Quando eles chegaram, os israelitas ficaram cercados por todos os lados! Nessa hora, quando os inimigos acharam que eles iam tremer de medo, os israelitas começaram a cantar e tocar seus instrumentos.
- E aí pai? O que aconteceu?
- Bom, os inimigos ficaram espantados com o que viram.
Eles ficaram lá parados, de boca aberta, olhando uns para os outros enquanto os israelitas louvavam a Deus.
Até que de repente, houve uma confusão no meio dos inimigos.
Alguém gritou alguma coisa e os amonitas acharam que aquilo era uma cilada dos moabitas contra eles e os atacaram.
E os edomitas acharam que os outros dois eram os seus inimigos e começaram a atacá-los.
Ou seja, todos os inimigos de Israel começaram a brigar entre si.
- Pai, enquanto isso o povo de Deus ficava lá, só louvando ao Senhor!?
- Sim, louvando e assistindo Deus vencer a guerra, sem precisar usar nenhuma arma.
Depois de tanta confusão, o que sobrou de cada povo inimigo voltou para o seu próprio país, praticamente destruído, e os israelitas voltaram para casa, sem nem sujar as roupas.
- Nossa que bom pai!
- Foi mesmo, incrível né? O dia em que o povo de Deus venceu três inimigos cantando.
- Pai.
- Diga filho.
- Como eu posso usar essa estratégia também?
- Simples, filho.
Quando esses três sentimentos ruins tentarem vencer o amor que há em você, não diga nem faça nada.
Apenas Feche seus olhos e cante louvores! Deus vencerá a batalha por você.
Quando você menos esperar, esses sentimentos terão ido embora e só o amor restará contigo.
- Não, pai.
Isso eu já entendi.
Vou fazer isso amanhã, quando for brincar com meus irmãos.
Mas queria usar essa estratégia em outro lugar também…
- Onde?
- Na escola, na hora de fazer as provas!!
- Como assim?
- Em vez de responder às questões, que tal eu fechar os olhos e começar a cantar louvores? Aí as dúvidas vão embora e ficam só as respostas certas para eu colocar nas provas!
- Claro que não, né filho! Acho que você não entendeu muito bem essa história…
- É brincadeira, pai!
- Ufa! Vem cá filho!
Então pai e filho riram, se abraçaram e foram para a sala de casa, onde todos os irmãos brincaram juntos e felizes depois que Renato fez as pazes com eles.
E nunca mais Renato foi vencido por nenhum sentimento ruim, pois aprendeu uma estratégia infalível: louvar ao Senhor de todo coração.