Cegos e elefantes
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Havia, em uma aldeia muito distante daqui, três homens cegos.
Eles eram muito amigos e tinham um sonho em comum: eles queriam conhecer um elefante! Desde sempre eles ouviam falar sobre esse grande animal, que derrubava árvores só de passar do lado delas e que fazia todos saírem do seu caminho quando caminhava pela estrada.
Diziam que até o prefeito da vila parava com sua carruagem e saía da frente quando um elefante aparecia em sua direção. Mas os três amigos até então só tinham ouvido falar do elefante mesmo.Nunca tinham tido qualquer tipo de contato com o animal. Eles só podiam imaginar o que seria um elefante pelo que as pessoas diziam sobre ele.
Até que um dia, um vizinho avistou um bando de elefantes pastando em sua lavoura de alfaces e logo se lembrou dos três amigos cegos.
Ele largou a enxada no chão e voltou correndo para levar os seus três vizinhos cegos até lá.
Imagina a empolgação dos três amigos quando receberam esse convite! Eles prontamente ficaram de pé na porta de casa e disseram batendo as suas bengalas no chão: Estamos prontos! Vamos lá, antes que eles fujam!Parte 2E lá foram eles, gentilmente conduzidos pelo vizinho até serem colocados bem diante do maior bicho do mundo.
Bem devagarzinho, um pé após o outro, eles se aproximaram do maior elefante da manada, tocando nele com as mãos.
O primeiro dos cegos, dando de encontro com o lado do animal, gritou: - Ora, o elefante é como uma parede! Já o segundo cego, tocando os presas do animal, afirmou com muita certeza: - Nada de parede, o elefante é parecido com uma lança, isso sim!Por sua vez, o terceiro, agarrado à tromba que se retorcia, tratou logo de encerrar o debate: - Nem parede, nem lança: o elefante é parecido com uma cobra.
Os três homens discutiram ainda por muito, muito tempo, mas nenhum deles conseguiu convencer os demais de que a sua opinião sobre o elefante era a correta - até porque não era mesmo, né? Cada um tinha tido a sua própria experiência com o bicho e, apesar de terem certeza do que tinham sentido com suas mãos, isso não significava que a experiência dos outros cegos estava errada. Nem certa. O problema é que nenhum deles poderia dizer exatamente o que era um elefante, porque, afinal, tinham tido acesso apenas a uma parte da realidade dele.
E o pior: cada um dos cegos estava apegado demais ao que tinha sentido para abrir mão da sua verdade parcial e entender como aquelas partes se juntariam para formar uma imagem completa do elefante em suas cabeças. E por isso continuaram discutindo até que brigaram e acabaram ficando sem se falar.
Um saiu com sua bengala tocando o chão, procurando uma pedra para se sentar longe dos amigos. O outro foi caminhando para o lado oposto, ajeitando seus óculos escuros. E o terceiro cego ficou ali, pertinho do elefante, encostado nele como se fosse uma parede, para provar seu ponto de vista.
Diante daquela cena, o vizinho deles percebeu que nada mais podia ser feito. Cabisbaixo, pegou na mão de um deles, levou até o outro, segurou em sua mão também, e depois de se juntarem ao terceiro cego, começaram a voltar para casa. Ainda sem trocar uma palavra.
No caminho de volta, uma criança se aproximou deles com um pacote na mão. Era o filho daquele homem, que tinha levado os três amigos cegos para realizarem o sonho de conhecer um elefante. O menino trazia o almoço do pai, que àquela altura estaria começando a sua pausa para o trabalho na lavoura. Ele se surpreendeu ao ver o pai na estrada voltando para casa tão cedo, ainda mais acompanhado dos três cegos.
Quando o pai contou o que tinha acontecido, o menino perguntou: - Mas, pai, por que você não explicou para eles como o elefante era de verdade? Afinal, você conseguia ver o elefante como um todo, né? - Filho, quando as pessoas se apegam demais às suas próprias verdades elas acabam surdas, não ouvem mais ninguém.
- Ué, quer dizer então que os três cegos agora são surdos também?- Enquanto não estiverem abertos a ouvirem a verdade, sim.
Pelo menos no que se refere a elefantes.
Mas isso não acontece só com eles, não viu? Na verdade, todos nós precisamos ter cuidado para não ficar assim também.- Como assim pai?- Bom, algumas vezes nós achamos que sabemos de tudo na vida.
E aí não nos preocupamos em buscar conhecer mais É como se a nossa verdade nos deixasse cegos para o restante da realidade.
- E como podemos enxergar a verdade completa pai?- Por incrível que pareça, tudo começa ouvindo.
E só depois, vendo.
- Mas ouvindo quem, pai? - Só Deus enxerga o quadro completo, filho.
Ele vê muito além do que nós vemos, Ele vê presente, passado e futuro de uma vez só.
Por isso devemos ter humildade e sempre estar prontos para abrir mão das nossas verdades para abraçar as verdades de Deus.
Por mais que achemos que estamos certos em alguma coisa, devemos sempre buscar ouvir o que Deus tem a dizer a respeito.- Porque a gente não consegue ver tudo né, pai?- Isso mesmo.
Lá em João 9:39, Jesus diz assim: “Eu vim a esse mundo para os que não vêem finalmente enxerguem”.
Se nós dermos ouvidos às palavras de Jesus, a voz dele nos fará enxergar bem melhor a realidade.
E aí seguiremos o caminho certo.
Enquanto isso, Ele nos conduzirá pelas mãos nesse caminho.
Parte 4Naquele dia, todos os três cegos voltaram para casa do mesmo jeito que saíram, sem saber de fato o que era um elefante, agarrados somente às suas próprias opiniões.
Mas o filho daquele gentil lavrador, não.
Ele voltou diferente para casa.
Ele seguiu o conselho do pai e passou a ouvir e a ver bem melhor, pois começou a procurar na Bíblia as verdades completas que Deus nos revelou na Sua Palavra.
Ele entendeu que só o Senhor pode nos mostrar a verdade sobre o mundo, sobre a vida e sobre o nosso futuro porque só Ele vê o quadro completo da história do Universo.
Nós enxergamos apenas em parte, mas o Senhor pode nos fazer ver a verdade face a face.
Só Ele pode nos guiar rumo à verdade sobre todas as coisas.
Para isso, basta a gente ter humildade para abrir mão das nossas verdades parciais e abraçar as verdades eternas que lemos nas Escrituras.