Ana e a esperança que se renova toda manhã
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Ana era uma menina de cinco anos que, assim como todas as crianças de sua idade, tinha muitas emoções.
Ela sentia alegria, tristeza, medo, amor, surpresa e muitas outras emoções, às vezes todas em um dia só.
Nem sempre Ana conseguia lidar bem com suas emoções, mas a emoção que ela mais tinha dificuldade era a raiva.
Ana ficava com raiva por qualquer coisa: quando não conseguia fazer o que queria, quando alguém a contrariava, quando algo não saía do jeito que ela esperava...
E quando ficava com raiva, ela fazia um escândalo: gritava, chorava, e até batia o pé no chão.
Mas nada disso adiantava.
Os pais de Ana não cediam aos seus caprichos e ainda a colocavam de castigo.
E aí, Ana ficava ainda mais com raiva e se sentia injustiçada.
Um dia, Ana foi à igreja com seus pais.
Ela gostava de ir à igreja, pois lá ela podia cantar, brincar e aprender sobre Jesus.
Naquele dia, o pastor leu um versículo da Bíblia que chamou a atenção de Ana.
Ela não conseguiu memorizar o versículo todo, só uma parte, que dizia assim: "trago à memória aquilo que me dá esperança".
Ana, que já tinha quase perdido as esperanças de controlar seus sentimentos, repetiu essa parte várias vezes para si mesma, tentando gravá-la no seu coração.
Ela tinha uma pontinha de esperança de que esse versículo podesse ajudá-la com suas emoções.
No dia seguinte, Ana foi à escola.
Lá, ela acabou se envolvendo em uma briga com um coleguinha que pegou o seu lápis de cor sem pedir.
Ana ficou furiosa e deu um tapa no menino e ele começou a chorar.
A professora viu a cena e repreendeu Ana, mandando-a para a diretoria.
Ana se sentiu humilhada e revoltada.
Ela queria gritar e xingar a professora e o menino, mas então ela se lembrou do versículo que ouviu na igreja: "trago à memória aquilo que me dá esperança"...
Enquanto caminhava para a sala da diretora, Ana começou a repetir essa frase baixinho, tentando se acalmar: “trago à memória aquilo que me dá esperança”
E então, algo incrível aconteceu: ela se lembrou de uma história bíblica que ensinava a lidar justamente com a raiva.
Era a história de Moisés e o povo de Israel.
Ana se lembrou de como Moisés tinha libertado o povo de Israel da escravidão no Egito, com a ajuda de Deus.
Ela se lembrou de como Moisés tinha guiado o povo pelo deserto, em busca da terra prometida.
Ela se lembrou de como Moisés tinha subido ao monte Sinai para receber os mandamentos de Deus, enquanto o povo esperava lá embaixo.
Ela se lembrou de como Moisés tinha ficado com raiva quando desceu do monte e viu que o povo tinha feito um bezerro de ouro para adorar, esquecendo-se de Deus.
Ela se lembrou como Moisés ficou tão irado que jogou no chão e quebrou as tábuas dos mandamentos, que Deus tinha escrito com tanto carinho, com o seu próprio dedo.
Ana pensou em como a raiva de Moisés fazia sentido, afinal o povo tinha sido mesmo ingrato e infiel a Deus.
Mas ela também pensou em como a raiva de Moisés tinha sido ruim, pois tinha feito ele ofender a Deus ao quebrar as tábuas dos mandamentos, que eram sagradas.
Ana pensou em como Moisés tinha se arrependido da sua raiva e pedido perdão a Deus.
E ela pensou em como Deus tinha perdoado Moisés e dado a ele novas tábuas dos mandamentos, mostrando a sua misericórdia e fidelidade.
Ana percebeu que assim como Moisés sua raiva era justa, mas também tinha sido ruim, pois ela tinha machucado o seu coleguinha e desrespeitado a sua professora.
Ela percebeu que a sua raiva também precisava de perdão, tanto do seu coleguinha, quanto da sua professora, quanto de Deus.
E ela percebeu que Deus também podia perdoá-la e dar-lhe uma nova chance, assim como fez com Moisés.
Ana sentiu uma paz invadir o seu coração.
Ela decidiu que iria pedir desculpas ao seu coleguinha e à sua professora, e que iria orar a Deus, agradecendo pela sua graça.
Ela também agradeceu a Deus por ter trazido à sua memória aquela história que lhe deu tanta esperança.
Na sala da diretora Ana cumpriu sua palavra e tudo ficou em paz.
Mas a jornada de Ana e suas emoções estava apenas começando…
Depois de sair da sala da Diretoria, Ana teve que enfrentar uma outra emoção que tinha dificuldades em lidar: a teimosia.
Às vezes Ana era muito teimosa e insistia para fazer tudo do seu jeito.
E quando seus pais tentavam impor algum limite para ela, Ana dizia não e ficava questionando os motivos deles.
Mas nada disso adiantava.
Os pais de Ana não cediam aos seus caprichos e ainda a colocavam de castigo.
E Ana ficava ainda mais teimosa e se sentia incompreendida.
Um belo dia, Ana foi ao parque com seus pais.
Lá, ela se divertiu muito, brincando no balanço, no escorregador, na gangorra e na areia.
Mas quando chegou a hora de ir embora, Ana não quis.
Ela queria ficar mais um pouco, pois ainda não tinha brincado no carrossel.
Ela pediu aos seus pais para deixá-la brincar mais um pouco, mas eles disseram que não, pois já estava ficando tarde e escuro.
Ana ficou irritada e começou a fazer birra.
Ela disse que não ia embora de jeito nenhum e que eles não podiam obrigá-la, já que ela tinha sim o direito de brincar no carrossel.
Mas nada disso adiantou.
Os pais de Ana não cederam a sua birra e a levaram para o carro, enquanto ela esperneava e berrava alto.
No caminho, ela se lembrou do versículo que ouviu na igreja: "trago à memória aquilo que me dá esperança".
Ela começou a repetir essa frase baixinho, tentando se acalmar.
E então, antes mesmos de chegar ao carro, algo incrível aconteceu: Ana se lembrou de uma história bíblica que a ensinava a lidar com a teimosia.
Era a história de Jonas e a baleia.
Ana se lembrou de como Jonas era um profeta de Deus, que tinha recebido uma missão de ir à cidade de Nínive e pregar contra os pecados daquele povo.
Ela se lembrou de como Jonas não quis obedecer a Deus, pois ele achava que os ninivitas não mereciam o seu perdão.
Ela se lembrou de como Jonas fugiu de Deus, embarcando em um navio que ia para outra direção.
E ela se lembrou de como Deus enviou uma grande tempestade, que ameaçava afundar o navio e todo mundo junto no fundo do mar...
Enquanto caminhavam em direção ao carro, Ana seguia se lembrando da história de Jonas.
Ela se lembrou como ele confessou aos marinheiros que ele era o culpado pela tempestade, pois ele tinha desobedecido a Deus.
Ela se lembrou de como Jonas pediu aos marinheiros que o jogassem ao mar, para que a tempestade cessasse.
Ela se lembrou de como Deus, em sua misericórdia, enviou um grande peixe, que engoliu Jonas e o salvou, mantendo-o vivo dentro da sua barriga por três dias e três noites.
Ela se lembrou de como Jonas orou a Deus, arrependendo-se da sua teimosia.
Ela se lembrou de como Deus fez o peixe cuspir Jonas na praia, dando-lhe uma nova chance de obedecer.
E ela se lembrou de como Jonas finalmente foi até Nínive e pregou a mensagem de Deus, e de como Deus teve misericórdia dos ninivitas, que se arrependeram dos seus pecados.
Ana pensou em como a teimosia de Jonas foi tola, pois ele não podia fugir de Deus, que está em todo lugar.
Ela também pensou em como a teimosia de Jonas foi perigosa, pois ele colocou em risco a sua vida e a dos outros, por causa da sua rebeldia.
Ela pensou em como Jonas se arrependeu da sua teimosia e obedeceu a Deus.
E ela pensou em como Deus teve paciência e compaixão de Jonas, dando-lhe uma nova chance.
Ana percebeu então que a sua teimosia também era tola, pois ninguém pode fazer tudo o que quer o tempo todo.
Ela percebeu que a sua teimosia também era perigosa, pois ela podia se machucar no parque, que já estava escuro de noite.
Ela percebeu que a sua teimosia também precisava de correção, tanto dos seus pais, quanto de Deus.
E ela percebeu que Deus também podia ajudá-la a ser mais obediente, assim como fez com Jonas.
Ana sentiu uma paz invadir o seu coração.
Ela decidiu que iria pedir desculpas aos seus pais, e que iria obedecer a eles, pois eles sabiam o que era melhor para ela.
E assim que entrou no carro, Ana cumpriu a sua promessa e sua família ficou em paz novamente.
Ela também agradeceu a Deus por ter trazido à sua memória aquela história de Jonas, que lhe deu tanta esperança.
Mas quem disse que essa história acaba aqui?
Na verdade, essa história continua até hoje, porque até hoje a Ana precisa lidar com todos os seus sentimentos.
Todos os dias ela sente alegria, tristeza, medo, amor, surpresa e muitas outras emoções, às vezes todas em um dia só.
E todos os dias ela recita para si mesma aquele mesmo versículo “Trago à memória aquilo que me dá esperança.”
E então, todos os dias Jesus a faz lembrar de como ela é amada e especial e lhe traz uma história bíblica que ajuda a lidar com suas emoções.